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Férias.

21/12/2012

O bem humorado cartão de Natal da Reb Bull. Tapa com luva de lomex.

Este humilde blog está saindo de férias. Como nesta época do ano pouco, ou nada, acontece na Fórmula 1, e como ninguém sairá à caça de notícias e opiniões dadas pelo obscuro autor destas linhas, ficaremos por uns dias em stand by.

Voltamos em edição extraordinária a qualquer momento, caso algum anúncio de contratação surja (Bruno Senna e Luiz Raia ainda negociam), ou no final de janeiro, quando os primeiros carros começarem aparecer nos lançamentos.

Boas festas.

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Mercedes: cai Norbert Haug, e uma revolução pode estar em curso.

14/12/2012

Norbert Haug: de saída da Mercedes.

Depois de contratar Lewis Hamilton e trazer o tricampeão Niki Lauda para prestar uma espécie de consultoria, a equipe Mercedes deu mais um passo na tentativa de romper com a frustrante experiência vivida em 2012. Dona de um dos carros mais fortes no início, o time da estrela de três pontas naufragou ao longo do ano, sem conseguir nenhum outro resultado significativo.

E não tardou para que a primeira cabeça rolasse: o homem que comandou o departamento de competições da Mercedes por mais de 20 anos perde seu posto e não deixará saudades.

Pela arrogância com que tratava a todos no paddock, Haug colecionou atritos e choques com a imprensa, como no episódio da mentira aplicada por Hamilton nos comissários de Melbourne, em 2009, quando Norbert ainda ocupava o pitwall da McLaren, devido à sua então sociedade com a Mercedes.

Menos uma: a HRT se vai.

01/12/2012

HRT

Em 2010 três pequenas equipes surgiram na Fórmula 1, estimuladas pelo então presidente da FIA – Max Mosley, fulo que estava este com a debandada das montadoras após a crise de 2008. Numa só tacada BMW, Honda, Toyota e depois a Renault deixaram a Fórmula 1. O perigo começou a pairar sobre o grid, e a possibilidade de não ser mais possível juntar 20 carros para uma corrida tornou-se real. O velho Max agiu.

A primeira medida foi tentar estabelecer um teto orçamentário. Depois foi feita uma espécie de concorrência para definir um motor standard aos times novatos, e nesta a Cosworth venceu para fornecer propulsores aos 3 times entrantes em preços populares. Num total de 11 times candidatos às vagas, 3 foram pinçados.

Os nomes eram outros, mas hoje chamamos as então escolhidas de Marussia, Caterham e a HRT.

Depois de arrastar-se no fundo do grid nos últimos 3 anos, a HRT quebrou. Com modelos andando num ritmo bem mais próximo da GP2 do que da Fórmula 1, o time originalmente pertencente a Adrian Campos, ex-piloto dos anos 80, a equipe era uma lástima e não correrá em 2013.

A FIA havia determinado à direção do time espanhol o prazo até 30 de novembro para que mantivessem sua inscrição. Sem um comprador anunciado, o time perde o registro e provavelmente também perde o valor depositado para assegurar a vaga. Em síntese isto significa que um investidor que adquirir o espólio do time deverá efetuar o depósito novamente.

E sabe de uma coisa? Eu só lamento pois eles finalmente tinham acertado na pintura. O carro de 2012 tinha um esquema de cores muito simpático.

Schumacher.

29/11/2012

O mito da adeus sendo aquele que, como Senna, estabeleceu novos paradigmas.

Passados 4 dias do Grande Prêmio do Brasil, o mundo segue girando, a vida vai adiante, e a de um cidadão alemão nunca mais será a mesma.

Todo piloto começa muito cedo, e Michael Schumacher correu de kart desde a infância, quando seu pai era zelador do kartódromo de Kerpen, sua cidade natal.

Dali, foi aquela escalada a que todos se submetem, abdicando de muita coisa, inclusive de seguir estudando.

Venceu tudo, experimentou o céu, foi o herói da mais apaixonada torcida, os tiffosi, ao volante da mais tradicional equipe – a Ferrari.

Venceu de ponta a ponta, partindo de trás, do meio e dos boxes.

Venceu com 1, 2, 3 e até 4 pit stops, no seco, molhado, encharcado se a Fórmula 1 passasse pela neve, teria lá cravado seu nome.

Pai de crianças já grandinhas, e marido de Corinne, Michael agora volta para casa, pela segunda vez.

Não sei se vocês também concordam, mas eu não creio que ele fique parado por muito tempo. O heptacampeão mundial, detentor do recorde de pole-positions, vitórias e fantasma que assombrou a Fórmula 1 os anos 90 e 2000 é aquilo que ele mesmo definiu – a racer. E como um racer, dificilmente sossegará em casa. Seja de rally, moto ou turismo, creio que Schumacher não ficará muito tempo fora das pistas.

E ele pode. Mostrou que tem um desapego por vaidades muito maior que alguns detratores de resultados muito menos expressivos. Quis correr, a Mercedes lhe deu o carro, e lá foi ele para as pistas do mundo fazer aquilo que sabe.

Gênio, é a única palavra que pode definir este cidadão. Só por aqui que a torcida transformada em cheerleader não comprende a magnitude do sujeito de quem falamos. Mas você acha que ele liga?

Keep pushing, Michael!

Oficial: Williams dispensa Bruno Senna.

28/11/2012

Maldonado, Bottas e Senna. Três pilotos para dois carros, e o brasileiro poderia ter feito mais.

Como noticiam por aqui o Grande Prêmio e o Tazio, a Williams acaba de liberar comunicado dispensando Bruno Senna e confirmando para a sua vaga o finlandês Valtteri Bottas, terceiro piloto do time inglês e empresariado por Toto Wolf, hoje um sócio de Frank Williams na equipe que carrega seu sobrenome.

Bruno agora corre atrás de vagas ainda abertas na Force India e na Caterham. Adversários nesta disputa não faltam, alguns endinheirados, e outros muito bons de braço.

Outro brasileiro também postula um destes dois assentos – Luiz Razia, que já foi piloto de testes da Caterham – quando esta se chamava Lotus – e que também já andou dando voltas com a Force India neste ano.

Não somos um blog de notícias, vocês sabem, então vamos à opinião.

Bruno Senna começou no automobilismo numa idade em que muitos já estão dando suas primeiras voltas na Fórmula 1.

Em razão dos traumas familiares com a brutal morte do tio, em circunstâncias de amplo conhecimento de todos, e de seu pai num acidente motociclístico em 1995, no ano seguinte portanto, o rapaz teve a carreira abortada à época.

Voltou apenas aos 19 anos, tendo pulado as etapas mais básicas da carreira, como o Kart.

A família atendeu ao seu pedido, e superando toda a natural rejeição, mandou mais um dos seus às pistas.

Viviane Senna contou nesta empreitada com o apoio de Gerhard Berger, que avaliou Bruno e recomendou à mãe do piloto os primeiros passos a serem dados.

Bruno é um bom piloto. Esqueçamos aqui o sobrenome que carrega, ao menos por 2 minutos. O rapaz é inteligente, sabe conduzir um carro de corrida de forma competitiva, e especialmente em corridas acerta muito mais do que erra. Pontuou em 10 etapas desta temporada. Seu companheiro de equipe, o veloz Pastor Maldonado chegou aos pontos em 5 ocasiões e é o recorde de punições da temporada.

Entretanto Bruno tinha a sombra de Valtteri Bottas, que contratualmente nesta temporada assumiu o carro do brasileiro nas manhãs de sexta-feira para ganhar quilometragem, preparado que estava sendo para assumir um dos carros do time em 2013, o que confirmou-se hoje.

Não chega a ser uma surpresa a sua dispensa. O primeiro-sobrinho não decepcionou em sua passagem pela Fórmula 1 até aqui, mas também não foi um assombro, como Sergio Perez ou Kamui Kobayashi, que muito cedo chegaram dando o seu recado.

Senna sofre de uma deficiência que precisa ser sanada, e logo – demora em encontrar o melhor ritmo em voltas de classificação. Num longo trecho de voltas o brasileiro é consistente e inteligente, conserva o carro e os pneus e tem ótimo ritmo de corrida.

Digamos que isso seria ao fim e ao cabo o que um piloto precisaria basicamente ser – veloz e astuto em corridas. Ok. Mas a prova de classificação determina a posição em que largará o piloto, e nela também determina-se que faixa da tabela será disputada. Quando alguém coloca o carro entre os oito primeiros, naturalmente estará em melhor vantagem para marcar pontos. Partindo do meio do grid além do enorme risco de andar no bolo, a famosa zona da confusão, sempre estará em desvantagem para chegar a colocações mais expressivas. Tanto que a melhor pontuação de Bruno em 2012 acabou sendo um 6º lugar.

Não foi, como eu disse, uma temporada ruim. Mas também não foi tudo o que poderia ser. É provável, mas não certeiro, que o rapaz consiga uma vaga para 2013. Ele tem braço e nome que ajudam muito nesta tarefa. Aguardemos os próximos lances.

Interlagos: um thriller de cinema, com elementos de 2008.

26/11/2012

Vettel comemora. O mais novo tricampeão mundial de Fórmula 1.

E o que dizer da corrida? As mudanças na condição do binômio clima-asfalto, lembraram muito a corrida louca disputada em Dogninton Park, no Grande Prêmio da Europa de 1993, vencida por Ele*. A recuperação de Sebastian Vettel, que foi atingido por Bruno Senna na curva do Lago, ainda na primeira volta, também me lembrou a escalada de Dele* em Suzuka-1988. E a corrida como um todo, a decisão do campeonato dramática como foi trouxe elementos de 2008, quando Hamilton e Mass, bem vocês sabem… Em suma, todos os elementos para uma definicão digna da temporada espetacular que tivemos.

Em dado momento, os doze primeiros eram simplesmente geniais. Uma fila indiana em que o último era Kimi Raikkonen, e na frente dele ninguém menos que Michael Schumacher. Ora, que fase especial que temos diante de nossos olhos, quando coadjuvam uma corrida dois pilotos desse calibre.

Venceu o melhor? Difícil dizer. Mas o título certamente está em ótimas mãos. Vettel veio catando pontos no começo do ano, quando o carro da Red Bull sofria para adaptar-se à falta que o difusor soprado lhe fazia (proibido que foi pelo regulamento). Foi marcando pontos, somando colocações intermediárias, alguns pódios e corridas neutras, sem grandes shows.

De repente Adrian Newey e Vettel se acharam. E o carro melhorou. Não foi sorte. Vettel mergulha em reuniões intermináveis com seus engenheiros, lendo dados de telemetria e espremendo até a última gota na busca por dois ou três décimos de segundo.

Mas o salto dado não foi suficiente para ser esmagadoramente superior, pois a McLaren também achou o caminho e era mais rápida. Ainda assim Sebastião soube encaixar uma sequência de vitórias que somada ao azar duplo de Alonso em dois abandonos e ao carro da Ferrari que simplesmente parou no tempo deu-lhe condições de chegar aqui como chegou.

Alonso por seu lado pegou um carro lamentável nas mãos. A Ferrari resolveu ousar no projeto. E quem ousa tem sempre o risco – ou acerta muito, ou erra muito. A segunda alternativa pareceu ter ocorrido. O carro vermelho tomava mais de um segundo inteiro por volta de McLaren e Red Bull. O acerto era imprevisível, as mudanças não deram resultados. No meio da temporada o pessoal de Maranello conseguiu achar o interruptor que acendia a luz, e saíram do escuro, o rumo foi encontrado. Ali Fernandinho pareceu ser o homem do ano. Soube beliscar resultados inteligentemente, e quando lhe deram um carro melhor, foi pra frente.

De repente o desenvolvimento na Ferrari estancou. Dizem alguns que o problema foi no túnel de vento. O fato é que o espanhol está dando indiretas, dizendo que o carro apresenta alguns pontos críticos já há 6 meses. Num entrevero com um engenheiro chefe da Ferrari, Alonso foi ao Twitter e disparou – desde Barcelona em maio, que a aerodinâmica da Ferrari é a mesma. Caro leitor, caso você não saiba, uma equipe de ponta na Fórmula 1 traz peças novas e modificações em seus carros corrida a corrida. Isso tirou Fernando do sério.

Para coroar um ano em que 7 pilotos diferentes venceram as 7 primeiras corridas, tivemos o desfecho em Interlagos, um dos mais espetaculares circuitos do mundo, diante da torcida mais animada e divertida, e com um clima doentiamente instável. Épico, de novo!

A turma da Red Bull comemora com seu pupílo.

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1. Button: em corridas loucas como a deste domingo Jenson, dotado de uma inteligência acima da média do grid, sempre se sobressai. O inglês, além de saber ler muito bem as condicões da pista, tem a famosa tocada suave e gentil com o carro e os pneus. O resultado é esse. Bela vitória. É o nome de McLaren para 2013;

2. Alonso: por momentos o espanhol teve o título nas mãos, quando Vettel e a Red Bull erraram nos pits e o rival na disputa pelo título esteve fora da zona de pontuação. Fez uma excelente temporada, tirou da Ferrari muito mais do que ela tinha a oferecer, mas não deu. Seu oponente é osso duríssimo de roer;

3. Massa: termina em alta um ano que começou com nuvens negras no horizonte. De agosto pra cá tem pilotado muito bem, de maneira sólida, e até com lampejos de genialidade, que teve até 2009. Deve esquecer Alonso, focar no seu trabalho e juntar as peças de seu sucesso. Não existe primazia dentro de uma equipe de Fórmula 1 que sobreviva aos frios números do cronômetro. Ele saba ser rápido, agora deve seguir adiante, e fazer o que fez desde moleque – acelerar;

4. Webber: o canguru australiano termina opaco o ano. Em alguns momentos pareceu que poderia protagonizar como fez em 2010. Mas o colega de garagem agora ganhou 3 títulos. Difícil não? Deve parar no final de 2013;

5. Hulkenberg: errou no acidente com Hamilton, mas não merecia ter sido punido. Excelente exibição de um piloto muito bom. Liderou quase 30 voltas da corrida, andando na frente de uma dupla barra-pesada na chuva – Hamilton e Button, que sabem correr no molhado. Tem futuro o garoto;

6. Vettel: o mais novo tricampeão deu hoje uma prova de persistência. Caiu para último depois de ter sido abalroado por Bruno Senna ainda na primeira volta. Subiu na tabela passando todo mundo, e contou ainda com Kobayashi que tirou o dia para lhe encher o saco. Seu time adotou uma estratégia errada, o rádio parou de funcionar, e o clima instável desta tarde em São Paulo também somaram-se. Sai do Brasil tricampeão. Você sabe quem são os outros tricampeões? (Brabham, Piquet, Stewart, Lauda e Senna). Algo a dizer?

7. Schumacher: dá adeus à Fórmula 1 saindo de cabeça erguida. Veio divertir-se, e parece ter feito exatamente o que queria. Besta o tempo em que vivemos, onde precisamos cobrar de alguém como ele usando seus feitos passados como parâmetro. Que seja feliz agora cuidando das crianças. Um gênio;

8. Vergne: acabo de falar sobre Schumacher no tópico acima, e agora devo escrever o que sobre este ilustre nada? Pulemos;

9. Kobayashi: Koba-mito teve um dia animado. Deu dores de cabeça em Vettel, disputou com todo mundo, foi do elenco de apoio da corrida, quase como aquele núcleo comédia das novelas, em que tudo de mais divertido acontece. Pena que o japonês não tenha carro ainda garantido pra 2013. Façamos votos para que consiga;

10: Raikkonen: Kimi completou toda as voltas de todas as corridas e pontuou em 19 das 20 etapas. Foi o terceiro colocado no campeonato, atrás apenas de Vettel e Alonso, e venceu uma corrida. Podemos arquivar a pasta em que falavamos da possível falta de motivação do finlandês? De quebra ainda protagonizou o momento mais engraçado da corrida, ao entrar por uma via fechada do autódromo e ter de dar meia volta. Outro herói do ano;