Posts Tagged ‘Scuderia Ferrari’

Schumacher.

29/11/2012

O heptacampeão mundial aposentado-se e será lembrado por muitas décadas como aquele que, como Senna, alterou os paradigmas da Fórmula 1.

Passados 4 dias do Grande Prêmio do Brasil, o mundo segue girando, a vida vai adiante, e a de um cidadão alemão nunca mais será a mesma.

Todo piloto começa muito cedo, e Michael Schumacher correu de kart desde a infância, quando seu pai era zelador do kartódromo de Kerpen, sua cidade natal.

Dali, foi aquela escalada a que todos se submetem, abdicando de muita coisa, inclusive de seguir estudando.

Venceu tudo, experimentou o céu, foi o herói da mais apaixonada torcida, os tiffosi, ao volante da mais tradicional equipe – a Ferrari.

Venceu de ponta a ponta, partindo de trás, do meio e dos boxes.

Venceu com 1, 2, 3 e até 4 pit stops, no seco, molhado, encharcado se a Fórmula 1 passasse pela neve, teria lá cravado seu nome.

Pai de crianças já grandinhas, e marido de Corinne, Michael agora volta para casa, pela segunda vez.

Não sei se vocês também concordam, mas eu não creio que ele fique parado por muito tempo. O heptacampeão mundial, detentor do recorde de pole-positions, vitórias e fantasma que assombrou a Fórmula 1 os anos 90 e 2000 é aquilo que ele mesmo definiu – a racer. E como um racer, dificilmente sossegará em casa. Seja de rally, moto ou turismo, creio que Schumacher não ficará muito tempo fora das pistas.

E ele pode. Mostrou que tem um desapego por vaidades muito maior que alguns detratores de resultados muito menos expressivos. Quis correr, a Mercedes lhe deu o carro, e lá foi ele para as pistas do mundo fazer aquilo que sabe.

Gênio, é a única palavra que pode definir este cidadão. Só por aqui que a torcida transformada em cheerleader não comprende a magnitude do sujeito de quem falamos. Mas você acha que ele liga?

Keep pushing, Michael!

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Schumacher.

29/11/2012

O mito da adeus sendo aquele que, como Senna, estabeleceu novos paradigmas.

Passados 4 dias do Grande Prêmio do Brasil, o mundo segue girando, a vida vai adiante, e a de um cidadão alemão nunca mais será a mesma.

Todo piloto começa muito cedo, e Michael Schumacher correu de kart desde a infância, quando seu pai era zelador do kartódromo de Kerpen, sua cidade natal.

Dali, foi aquela escalada a que todos se submetem, abdicando de muita coisa, inclusive de seguir estudando.

Venceu tudo, experimentou o céu, foi o herói da mais apaixonada torcida, os tiffosi, ao volante da mais tradicional equipe – a Ferrari.

Venceu de ponta a ponta, partindo de trás, do meio e dos boxes.

Venceu com 1, 2, 3 e até 4 pit stops, no seco, molhado, encharcado se a Fórmula 1 passasse pela neve, teria lá cravado seu nome.

Pai de crianças já grandinhas, e marido de Corinne, Michael agora volta para casa, pela segunda vez.

Não sei se vocês também concordam, mas eu não creio que ele fique parado por muito tempo. O heptacampeão mundial, detentor do recorde de pole-positions, vitórias e fantasma que assombrou a Fórmula 1 os anos 90 e 2000 é aquilo que ele mesmo definiu – a racer. E como um racer, dificilmente sossegará em casa. Seja de rally, moto ou turismo, creio que Schumacher não ficará muito tempo fora das pistas.

E ele pode. Mostrou que tem um desapego por vaidades muito maior que alguns detratores de resultados muito menos expressivos. Quis correr, a Mercedes lhe deu o carro, e lá foi ele para as pistas do mundo fazer aquilo que sabe.

Gênio, é a única palavra que pode definir este cidadão. Só por aqui que a torcida transformada em cheerleader não comprende a magnitude do sujeito de quem falamos. Mas você acha que ele liga?

Keep pushing, Michael!

Interlagos: um thriller de cinema, com elementos de 2008.

26/11/2012

Vettel comemora. O mais novo tricampeão mundial de Fórmula 1.

E o que dizer da corrida? As mudanças na condição do binômio clima-asfalto, lembraram muito a corrida louca disputada em Dogninton Park, no Grande Prêmio da Europa de 1993, vencida por Ele*. A recuperação de Sebastian Vettel, que foi atingido por Bruno Senna na curva do Lago, ainda na primeira volta, também me lembrou a escalada de Dele* em Suzuka-1988. E a corrida como um todo, a decisão do campeonato dramática como foi trouxe elementos de 2008, quando Hamilton e Mass, bem vocês sabem… Em suma, todos os elementos para uma definicão digna da temporada espetacular que tivemos.

Em dado momento, os doze primeiros eram simplesmente geniais. Uma fila indiana em que o último era Kimi Raikkonen, e na frente dele ninguém menos que Michael Schumacher. Ora, que fase especial que temos diante de nossos olhos, quando coadjuvam uma corrida dois pilotos desse calibre.

Venceu o melhor? Difícil dizer. Mas o título certamente está em ótimas mãos. Vettel veio catando pontos no começo do ano, quando o carro da Red Bull sofria para adaptar-se à falta que o difusor soprado lhe fazia (proibido que foi pelo regulamento). Foi marcando pontos, somando colocações intermediárias, alguns pódios e corridas neutras, sem grandes shows.

De repente Adrian Newey e Vettel se acharam. E o carro melhorou. Não foi sorte. Vettel mergulha em reuniões intermináveis com seus engenheiros, lendo dados de telemetria e espremendo até a última gota na busca por dois ou três décimos de segundo.

Mas o salto dado não foi suficiente para ser esmagadoramente superior, pois a McLaren também achou o caminho e era mais rápida. Ainda assim Sebastião soube encaixar uma sequência de vitórias que somada ao azar duplo de Alonso em dois abandonos e ao carro da Ferrari que simplesmente parou no tempo deu-lhe condições de chegar aqui como chegou.

Alonso por seu lado pegou um carro lamentável nas mãos. A Ferrari resolveu ousar no projeto. E quem ousa tem sempre o risco – ou acerta muito, ou erra muito. A segunda alternativa pareceu ter ocorrido. O carro vermelho tomava mais de um segundo inteiro por volta de McLaren e Red Bull. O acerto era imprevisível, as mudanças não deram resultados. No meio da temporada o pessoal de Maranello conseguiu achar o interruptor que acendia a luz, e saíram do escuro, o rumo foi encontrado. Ali Fernandinho pareceu ser o homem do ano. Soube beliscar resultados inteligentemente, e quando lhe deram um carro melhor, foi pra frente.

De repente o desenvolvimento na Ferrari estancou. Dizem alguns que o problema foi no túnel de vento. O fato é que o espanhol está dando indiretas, dizendo que o carro apresenta alguns pontos críticos já há 6 meses. Num entrevero com um engenheiro chefe da Ferrari, Alonso foi ao Twitter e disparou – desde Barcelona em maio, que a aerodinâmica da Ferrari é a mesma. Caro leitor, caso você não saiba, uma equipe de ponta na Fórmula 1 traz peças novas e modificações em seus carros corrida a corrida. Isso tirou Fernando do sério.

Para coroar um ano em que 7 pilotos diferentes venceram as 7 primeiras corridas, tivemos o desfecho em Interlagos, um dos mais espetaculares circuitos do mundo, diante da torcida mais animada e divertida, e com um clima doentiamente instável. Épico, de novo!

A turma da Red Bull comemora com seu pupílo.

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1. Button: em corridas loucas como a deste domingo Jenson, dotado de uma inteligência acima da média do grid, sempre se sobressai. O inglês, além de saber ler muito bem as condicões da pista, tem a famosa tocada suave e gentil com o carro e os pneus. O resultado é esse. Bela vitória. É o nome de McLaren para 2013;

2. Alonso: por momentos o espanhol teve o título nas mãos, quando Vettel e a Red Bull erraram nos pits e o rival na disputa pelo título esteve fora da zona de pontuação. Fez uma excelente temporada, tirou da Ferrari muito mais do que ela tinha a oferecer, mas não deu. Seu oponente é osso duríssimo de roer;

3. Massa: termina em alta um ano que começou com nuvens negras no horizonte. De agosto pra cá tem pilotado muito bem, de maneira sólida, e até com lampejos de genialidade, que teve até 2009. Deve esquecer Alonso, focar no seu trabalho e juntar as peças de seu sucesso. Não existe primazia dentro de uma equipe de Fórmula 1 que sobreviva aos frios números do cronômetro. Ele saba ser rápido, agora deve seguir adiante, e fazer o que fez desde moleque – acelerar;

4. Webber: o canguru australiano termina opaco o ano. Em alguns momentos pareceu que poderia protagonizar como fez em 2010. Mas o colega de garagem agora ganhou 3 títulos. Difícil não? Deve parar no final de 2013;

5. Hulkenberg: errou no acidente com Hamilton, mas não merecia ter sido punido. Excelente exibição de um piloto muito bom. Liderou quase 30 voltas da corrida, andando na frente de uma dupla barra-pesada na chuva – Hamilton e Button, que sabem correr no molhado. Tem futuro o garoto;

6. Vettel: o mais novo tricampeão deu hoje uma prova de persistência. Caiu para último depois de ter sido abalroado por Bruno Senna ainda na primeira volta. Subiu na tabela passando todo mundo, e contou ainda com Kobayashi que tirou o dia para lhe encher o saco. Seu time adotou uma estratégia errada, o rádio parou de funcionar, e o clima instável desta tarde em São Paulo também somaram-se. Sai do Brasil tricampeão. Você sabe quem são os outros tricampeões? (Brabham, Piquet, Stewart, Lauda e Senna). Algo a dizer?

7. Schumacher: dá adeus à Fórmula 1 saindo de cabeça erguida. Veio divertir-se, e parece ter feito exatamente o que queria. Besta o tempo em que vivemos, onde precisamos cobrar de alguém como ele usando seus feitos passados como parâmetro. Que seja feliz agora cuidando das crianças. Um gênio;

8. Vergne: acabo de falar sobre Schumacher no tópico acima, e agora devo escrever o que sobre este ilustre nada? Pulemos;

9. Kobayashi: Koba-mito teve um dia animado. Deu dores de cabeça em Vettel, disputou com todo mundo, foi do elenco de apoio da corrida, quase como aquele núcleo comédia das novelas, em que tudo de mais divertido acontece. Pena que o japonês não tenha carro ainda garantido pra 2013. Façamos votos para que consiga;

10: Raikkonen: Kimi completou toda as voltas de todas as corridas e pontuou em 19 das 20 etapas. Foi o terceiro colocado no campeonato, atrás apenas de Vettel e Alonso, e venceu uma corrida. Podemos arquivar a pasta em que falavamos da possível falta de motivação do finlandês? De quebra ainda protagonizou o momento mais engraçado da corrida, ao entrar por uma via fechada do autódromo e ter de dar meia volta. Outro herói do ano;

Batalhas e Ultrapassagens (10)

22/11/2012

Algumas duplas de pilotos fizeram história. Esta certamente é lembrada como uma das mais sensacionais, e que terminou de maneira trágica. Gilles Villeneuve, canadense e lendário pelas manobras ousadas e Didier Pironi, francês e à época uma estrela em ascensão, ambos pilotos da Ferrari.

Em 1982, em meio à convulsão política que a Fórmula 1 atravessava a maioria das equipes inglesas liderou um boicote encabeçado por Bernie Ecclestone na eterna briga por mais dinheiro que vem ano, vai ano, é travada nos bastidores da categoria. Os construtores não ingleses ignoraram o lockout e seguiram para San Marino, onde seria disputado o Grande Prêmio daquela pequena república encravada na Italia, palco também do eletrizante duelo do vídeo deste post.

Pironi e Villeneuve eram cordiais companheiros de equipe, e alguns arriscam-se até dizer que chegavam, vejam só, ao cúmulo de serem amigos, algo raríssimo na Fórmula 1. Na corrida em San Marino, o canadense espetaculoso liderava, e marchava para uma vitória tranquila. Pironi, talentoso, veloz e buscando seu lugar ao sol, tinha a intenção de vencer a corrida, e resolveu atacar Gilles, o queridinho do comendador Enzo, e então o primeiro piloto do time vermelho. A batalha entre os dois foi furiosa, e durou as últimas voltas da corrida, com Pironi levando a melhor.

A amizade acabou ali, e não muito adiante, a carreira dos dois tambem. Villeneuve sucumbe ao gravíssimo acidente ocorrido nos treinos para o Grande Prêmio da Bélgica, naquele ano ocorrido em Zolder, e morre. Em Hockenheim, é a vez de Pironi sofrer também um terrível acidente, e que por coincidência deu-se também numa colisão traseira, e nunca mais voltou a pilotar um carro de Fórmula 1.

Para coroar o trágico desfecho da talentosa dupla, em 1987 o francês disputava um campeonato de lanchas offshore ao largo da ilha de Wright e capotou nas ondas do petroleiro Avon, morrendo na hora.

Vettel na pole, a meio passo do título?

17/11/2012

Vettel e seu capacete inspirado nos vaqueiros do Texas, a caminho do tri.

Sebastian Vettel fez a pole, massacrou o grid inteiro e amanhã pode ser campeão. O seu rival na disputa, Fernando Alonso da Ferrari, teve uma classificação muito abaixo do esperado, e sai em oitvado.

Num final de semana que vem sendo dominado fortemente pela Red Bull a Ferrari está sofrendo horrores para levar seus carros à atingir a temperatura ideal dos pneus e nas duas oportunidades em que seus carros foram a pista, Massa e Alonso deram várias voltas em ritmo lento para só então tentar marcar um tempo no grid.

Azar do espanhol que amanhã parte em oitavo e com Vettel na pole terá de escalar o pelotão. Não chegando no mínimo em terceiro, e com o rival alemão na ponta, Alonso pode esquecer o tricampeonato, e Sebastian virá ao Brasil apenas para passear na semana que vem.

Massa confirmado na Ferrari para 2013.

16/10/2012

Domenicali e Montezemolo, os manda-chuvas, com seus pimpolhos, Alonso e Massa.

A mítica Scuderia Ferrari acaba de anunciar que o piloto brasileiro Felipe Massa seguirá ao volante de seus carros na temporada de 2013 da Fórmula 1. Aqui a notícia, e agora o comentário:

Felipe é um piloto muito veloz. Quando o regulamento era outro e os carros rodavam permanentemente leves, com pneus mais aderentes e macios, o que ocorria até 2009, Massa era um dos mais rápidos, senão o mais rápido em termos de velocidade pura.

Apesar disso, não era e não é um gênio da Fórmula 1, como os torcedores Pachecos gostariam que fosse. Mas nos seus melhores anos tinha uma pegada para a velocidade que o punha em pé de igualdade com pilotos do quilate de Vettel e Hamilton.

Em uma análise geral, sua qualidade equipara-se a de um Jenson Button no geral. Ou seja: não é um piloto fantástico como Alonso, Schumacher e os dois acima citados, mas que tendo um bom carro em mãos, devolverá resultados condizentes.

Isso o coloca muito acima de Mark Webber, por exemplo, um coadjuvante por excelência, que só ameaçou Vettel quando este ainda era um quase-moleque.

Massa tem a condução refinada, boa dose de agressividade. e já aprontou várias, mostrando aquele instinto assassino essencial para que tenha-se um bom piloto de corridas. Como algumas dessas aqui, aqui e aqui.

Em 2008 poderia ter sido campeão mundial de Fórmula 1, mas quis o destino que uma série de fatores lhe tirasse o título na última curva, da última volta, da última corrida. Outros acontecimentos ainda naquele ano, alheios à sua vontade contribuíram também, como o abandono na Hungria com um motor explodindo faltando apenas 3 voltas para o final, ou o trágico episódio da mangueira presa ao seu carro em Cingapura.

No ano seguinte, com o acidente que poderia ter lhe custado a vida, Massa permaneceu o restante da temporada afastado, retornando em 2010 para encontrar um mundo inteiramente novo. Em uma só tacada a Ferrari trouxe Fernando Alonso para dividir o galinheiro com o brasileiro, o regulamento mudou radicalmente e os pits para reabastecimento foram banidos, Massa foi pai pela primeira vez, e dúvidas pairavam sobre sua condição clínica na reabilitação pós-trauma.

Cada um destes fatores, isoladamente poderia não ter contribuído para a queda de produção do brasileiro. Mas para coroar este coquetel de mudanças que vieram todas de uma só vez, em Hockenheim, o brasileiro teve de ceder a ponta para Alonso vencer, ouvindo ordens de sua equipe. 

Aquilo sim, arremessou o brasileiro numa derrocada emocional dura de segurar. Não sou eu quem está dizendo apenas. Luciano Burti, pessoa próxima do piloto, atestou tal fato em entrevista.

Opaco de lá para cá, em 2012 Felipe chegou ao seu ponto mais baixo. A imprensa italiana cogitou sua demissão antes mesmo do final da temporada, e todos os substitutos possíveis e imagináveis foram cotados para seu carro. Os resultados magros das primeiras provas rederam matérias enfurecidas, chamando-o de inútil. 

Pois bem. Na segunda metade da temporada o brasileiro reagiu. Não me perguntem o motivo, mas um psicanalista, pai de santo ou chá de ervas pode ter sido a solução. O fato é que o brasileiro foi desde Spa-Francorchamps, em agosto, o segundo piloto que mais somou pontos – 56. Este resultado apenas o coloca atrás de Vettel, com absurdos 93 pontos, e à frente até mesmo de Alonso, com 45.

A Ferrari observou esta evolução, e ao invés de ir atrás de um piloto que não conhece sua estrutura interna, seus meandros políticos e o modo de proceder, preferiu manter Felipe por mais um ano.

É uma boa notícia, se ele souber usar esta chance para fazer vitrine e saltar em direção a outro time. Permanecer na Ferrari eternamente, ao lado de um piloto como Alonso, não é exatamente a melhor das alternativas para alguém que mire em vencer.

Existe a chance desta arrancada significar que em 2013 Massa vai atropelar Alonso e reassumir a liderança dentro de uma equipe que já foi inteiramente sua, como nos tempos em que dividiu teto com Kimi Raikkonen? Sim, é claro. Tudo é possível. Mas eu no lugar dele não contaria com isso.