Posts Tagged ‘Niki Lauda’

Mercedes: cai Norbert Haug, e uma revolução pode estar em curso.

14/12/2012

Norbert Haug: de saída da Mercedes.

Depois de contratar Lewis Hamilton e trazer o tricampeão Niki Lauda para prestar uma espécie de consultoria, a equipe Mercedes deu mais um passo na tentativa de romper com a frustrante experiência vivida em 2012. Dona de um dos carros mais fortes no início, o time da estrela de três pontas naufragou ao longo do ano, sem conseguir nenhum outro resultado significativo.

E não tardou para que a primeira cabeça rolasse: o homem que comandou o departamento de competições da Mercedes por mais de 20 anos perde seu posto e não deixará saudades.

Pela arrogância com que tratava a todos no paddock, Haug colecionou atritos e choques com a imprensa, como no episódio da mentira aplicada por Hamilton nos comissários de Melbourne, em 2009, quando Norbert ainda ocupava o pitwall da McLaren, devido à sua então sociedade com a Mercedes.

Michael Schumacher se aposenta. Você já entendeu por que ele foi tão importante?

04/10/2012

Michael Schumacher, um gigante, anuncia sua aposentadoria.

O mundo inteiro comenta a notícia do dia dentro da Fórmula 1: Michael Schumacher anunciou em Suzuka a sua (re)aposentadoria. Depois de retirar-se do esporte ao final de 2006, curtir 3 anos afastado e retornar pela Mercedes, o alemão heptacampeão mundial voltou em 2010, e conforme disse a todos: veio divertir-se.

Isso aqui não é um blog de notícias. É um blog de opinião, e assim, nada mais natural que comentemos sobre a importância deste cidadão, tido por muitos como o maior piloto de todos os tempos.

Michael Schumacher, igualmente a Ayrton Senna da Silva, foi um piloto que alterou os paradigmas de seu tempo na Fórmula 1. Senna foi o piloto que trouxe para o mundo das corridas a obsessiva dedicação, o preparo físico admirável, o foco total nos resultados, uma abnegação doentia, beirando o limite da sanidade. Antes dele os pilotos eram boêmios, bebedores, mulherengos contumazes, com um perfil muito mais parecido ao dos roqueiros sessentistas em comparação aos “coxinhas” que hoje conhecemos.

Não eram raras as histórias de pilotos em noitadas mesmo na véspera de corridas: nos boxes da McLaren uma vez, quando Alain Prost e Niki Lauda foram companheiros, o austríaco viu o diminuto francês todo sorrisos horas antes de uma corrida decisiva. Lauda questionou o colega sobre o ar risonho, ao que o narigudo contou – Dá pra acreditar? Fiquei com a Stephanie de Mônaco esta noite toda no hotel.

Já Schummy foi o piloto que trouxe a visão global da corrida, a busca pelo ritmo constante e alucinante. Não havia em Michael um ponto de destaque único, como arrojadas ultrapassagens, ou voltas voadoras na classificação. O piloto heptacampeão marcou a Fórmula 1 por ser um piloto quase completo, ou o mais próximo disso que se pôde ver até hoje.

Enquanto Senna em velocidade pura poderia ser considerado nota 10, Schumacher era 9.5. Mas o alemão compensava isso sendo 9.5 em vários outros requisitos onde Senna e outros pilotos, variando caso a caso, perdiam pontos. Durante a era em que dominou a Fórmula 1 juntamente com os carros da Ferrari, são famosos os casos em que Ross Brawn lhe pedia 12, 15 voltas em determinado ritmo para que a estratégia arquitetada funcionasse, e o piloto lhe entregava no crônometro as tais voltas com tempos coincidindo até na casa dos centésimos de segundo.

Fernando Alonso talvez seja o cara com uma visão global da corrida e do que os adversários ao seu redor estão aprontando. O espanhol seria nota 10 neste requisito, mas aqui novamente Schumacher era 9.5, pois mesmo com sua insossa presença germânica, no meio de um time latino e vibrante, Michael é considerado um Deus pelos torcedores e integrantes da Scuderia.

Tudo isso torna o piloto alemão, que agora se aposenta, tão especial – ele talvez não fosse o melhor em nenhum dos elementos chave para um grande piloto de corridas. Mas foi o mais equilibrado na maioria, ou em todos eles. Isso explica os números de Schumacher, colocando-o como o maior de todos os tempos.

Michael pode não ter sido veloz como Senna, audaz como Mansell, apaixonante para uma equipe como Alonso, ou técnico como Raikkonen. Pode não ter a tocada suave de Button, ou a coragem de Montoya. Em todos estes requisitos não foi o melhor. Mas na soma de todos eles, Schummy tem, disparado, a melhor média, daí ter chegado aonde chegou.

Aproveitem, pois em novembro, no asfalto de Interlagos assistiremos um Pelé pendurar suas “chuteiras”.

Sentiremos sua falta.

Alonso: o camisa 10 vermelho.

27/07/2012

Marry me Alonso, diz a torcedora na faixa.

Desde pequeno, ouvi em casa uma lição interessante sobre esforço e talento. Muitas pessoas são esforçadas, dedicadas, capazes de dar o sangue para atingir suas metas. São capazes de virar do avesso, matar e morrer na busca de seus ideais. Outras, não tão numerosas, tem talento. A virtude, o dom, aquela faísca de genialidade que os diferencia no meio da multidão, os torna o número ímpar, a mosca branca, uma agulha no palheiro. É raro, entretanto encontrar uma pessoa que saiba unir talento e esforço, numa mistura praticamente imbatível de paixão, devoção e fúria com lampejos de brilhantismo capazes de prostrar a concorrência. Na Fórmula 1 não é diferente. Poucos pilotos, talvez nem 5, foram capazes de unir de uma só vez os dois elementos. Um deles parece ser Fernando Alonso.

Visto com atenção pela Ferrari desde que surgiu na Fórmula 1, Fernandinho foi contratado pelo time vermelho em 2010, mas já era observado por Maranello desde 2002, e reforçou a boa impressão ao vencer a então estrela Michael Schumacher em 2006, num duelo admirável.

Fernando Alonso comemora com a torcida da Ferrari.

A Ferrari viveu entre 1999 e 2004 a mais vitoriosa era jamais experimentada por um time de Fórmula 1. Conquistou 6 dos 6 campeonatos de construtores, e 5 dos 6 títulos de pilotos. (em 99 Schumacher quebrou a perna no meio da temporada, perdendo diversas corridas e a chance de disputar a taça).

A equipe tinha em Schumacher o líder que não encontrou em Felipe Massa e Kimi Raikkonen, os dois pilotos que sucederam o alemão.

Kimi e Felipe são grandes pilotos (em que pese a fase ruim de Massa), são muito bons, mas não são gênios. Principalmente o brasileiro. E a Ferrari logo percebeu precisar de um camisa 10. Aquele cidadão que pega bola num momento tenso e diz – deixa que eu chuto.

Fernando, como Schumacher, Stewart, Senna, Lauda e outros, é o cara capaz de liderar 200 pessoas em torno de um projeto comum – levar um carro ao topo, tornar vencedora a carroça projetada pelos engenheiros para esta temporada (o carro de 2012 começou o ano sendo 2 segundos mais lento que a concorrência, e Alonso hoje lidera o campeonato com folga).

Por isso o espanhol vale muito mais para os italianos do que os milhões de euros que lhe são depositados na gorda conta bancária. O espírito de liderança, a obsessão técnica, a fúria combativa, e uma competência desconcertante motivam do faxineiro da fábrica ao espalhafatoso Luca di Montezemolo.

Pela primeira vez, entretanto, o time do cavalinho experimenta um capitão de sangue latino. Fernando é espanhol, ao contrário de Niki Lauda e Michael Schumacher, um austríaco e um alemão respectivamente, vindos de povos e culturas contidas, frias e não tão intensas.

Isto, entendo eu, explica a paixão fulminante, e o furor com que a Ferrari debruça-se sobre Alonso. O amor torna-se incondicional, e é correspondido por um piloto também apaixonado, que pilota com o coração, tem uma competência absurda e dá na pista a resposta, semana após semana, de que é sim uma dos 5 maiores da Fórmula 1 moderna.

Fernando Alonso e a bandeira da Ferrari.

Engenhocas (8)

25/07/2012

Detalhe do Brabham BT 46.

A Engenhoca de hoje é outra Brabham (juro que não é implicância minha), a BT46, desenhada por Gordon Murray, lendário engenheiro sul-africano, para a temporada 1978 da Fórmula 1.

Apresentando vários elementos de design radical, sendo a mais drástica delas o uso de trocadores de calor de tela plana na lataria do carro para substituir a água convencional e radiadores de óleo, o protótipo ficou famoso por uma inovação que deu certo, mas depois foi considerada ilegal.

Tratava-se do famoso ventilador instalado no Grande Prêmio da Suécia, com o intuito de maximizar a extração de ar sob a superfície do assoalho, aumetando o downforce – pressão aerodinâmica, e com isso a sua aderência.

Sob a alegação estar ali para resfriar os componentes do carro como motor e câmbio, o projeto de Murray visava sugar com o “ventilador” o ar que passava por debaixo do carro, a fim de criar uma zona de baixa pressão, e comprimir o carro contra o solo. Engenhoso, mas…

Brabham BT 46 Fan-Car com Niki Lauda.

O carro correu apenas uma etapa do campeonato nesta configuração. Pilotado por Niki Lauda, venceu a  corrida, espantando a todos com seu desempenho muito superior. Após a prova, na inspeção de rotina os delegados da FISA (hoje FIA), inspecionaram-no e julgaram tratar-se de uma artimanha ilegal.

Assim, apesar de sua curta e malograda existência, o Fan-Car é lembrado por tratar-se de uma Engenhoca curiosa e que contou com 100% de aproveitamento, ao vencer a única corrida da qual participou.