Posts Tagged ‘McLaren’

Mercedes: cai Norbert Haug, e uma revolução pode estar em curso.

14/12/2012

Norbert Haug: de saída da Mercedes.

Depois de contratar Lewis Hamilton e trazer o tricampeão Niki Lauda para prestar uma espécie de consultoria, a equipe Mercedes deu mais um passo na tentativa de romper com a frustrante experiência vivida em 2012. Dona de um dos carros mais fortes no início, o time da estrela de três pontas naufragou ao longo do ano, sem conseguir nenhum outro resultado significativo.

E não tardou para que a primeira cabeça rolasse: o homem que comandou o departamento de competições da Mercedes por mais de 20 anos perde seu posto e não deixará saudades.

Pela arrogância com que tratava a todos no paddock, Haug colecionou atritos e choques com a imprensa, como no episódio da mentira aplicada por Hamilton nos comissários de Melbourne, em 2009, quando Norbert ainda ocupava o pitwall da McLaren, devido à sua então sociedade com a Mercedes.

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Interlagos: um thriller de cinema, com elementos de 2008.

26/11/2012

Vettel comemora. O mais novo tricampeão mundial de Fórmula 1.

E o que dizer da corrida? As mudanças na condição do binômio clima-asfalto, lembraram muito a corrida louca disputada em Dogninton Park, no Grande Prêmio da Europa de 1993, vencida por Ele*. A recuperação de Sebastian Vettel, que foi atingido por Bruno Senna na curva do Lago, ainda na primeira volta, também me lembrou a escalada de Dele* em Suzuka-1988. E a corrida como um todo, a decisão do campeonato dramática como foi trouxe elementos de 2008, quando Hamilton e Mass, bem vocês sabem… Em suma, todos os elementos para uma definicão digna da temporada espetacular que tivemos.

Em dado momento, os doze primeiros eram simplesmente geniais. Uma fila indiana em que o último era Kimi Raikkonen, e na frente dele ninguém menos que Michael Schumacher. Ora, que fase especial que temos diante de nossos olhos, quando coadjuvam uma corrida dois pilotos desse calibre.

Venceu o melhor? Difícil dizer. Mas o título certamente está em ótimas mãos. Vettel veio catando pontos no começo do ano, quando o carro da Red Bull sofria para adaptar-se à falta que o difusor soprado lhe fazia (proibido que foi pelo regulamento). Foi marcando pontos, somando colocações intermediárias, alguns pódios e corridas neutras, sem grandes shows.

De repente Adrian Newey e Vettel se acharam. E o carro melhorou. Não foi sorte. Vettel mergulha em reuniões intermináveis com seus engenheiros, lendo dados de telemetria e espremendo até a última gota na busca por dois ou três décimos de segundo.

Mas o salto dado não foi suficiente para ser esmagadoramente superior, pois a McLaren também achou o caminho e era mais rápida. Ainda assim Sebastião soube encaixar uma sequência de vitórias que somada ao azar duplo de Alonso em dois abandonos e ao carro da Ferrari que simplesmente parou no tempo deu-lhe condições de chegar aqui como chegou.

Alonso por seu lado pegou um carro lamentável nas mãos. A Ferrari resolveu ousar no projeto. E quem ousa tem sempre o risco – ou acerta muito, ou erra muito. A segunda alternativa pareceu ter ocorrido. O carro vermelho tomava mais de um segundo inteiro por volta de McLaren e Red Bull. O acerto era imprevisível, as mudanças não deram resultados. No meio da temporada o pessoal de Maranello conseguiu achar o interruptor que acendia a luz, e saíram do escuro, o rumo foi encontrado. Ali Fernandinho pareceu ser o homem do ano. Soube beliscar resultados inteligentemente, e quando lhe deram um carro melhor, foi pra frente.

De repente o desenvolvimento na Ferrari estancou. Dizem alguns que o problema foi no túnel de vento. O fato é que o espanhol está dando indiretas, dizendo que o carro apresenta alguns pontos críticos já há 6 meses. Num entrevero com um engenheiro chefe da Ferrari, Alonso foi ao Twitter e disparou – desde Barcelona em maio, que a aerodinâmica da Ferrari é a mesma. Caro leitor, caso você não saiba, uma equipe de ponta na Fórmula 1 traz peças novas e modificações em seus carros corrida a corrida. Isso tirou Fernando do sério.

Para coroar um ano em que 7 pilotos diferentes venceram as 7 primeiras corridas, tivemos o desfecho em Interlagos, um dos mais espetaculares circuitos do mundo, diante da torcida mais animada e divertida, e com um clima doentiamente instável. Épico, de novo!

A turma da Red Bull comemora com seu pupílo.

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1. Button: em corridas loucas como a deste domingo Jenson, dotado de uma inteligência acima da média do grid, sempre se sobressai. O inglês, além de saber ler muito bem as condicões da pista, tem a famosa tocada suave e gentil com o carro e os pneus. O resultado é esse. Bela vitória. É o nome de McLaren para 2013;

2. Alonso: por momentos o espanhol teve o título nas mãos, quando Vettel e a Red Bull erraram nos pits e o rival na disputa pelo título esteve fora da zona de pontuação. Fez uma excelente temporada, tirou da Ferrari muito mais do que ela tinha a oferecer, mas não deu. Seu oponente é osso duríssimo de roer;

3. Massa: termina em alta um ano que começou com nuvens negras no horizonte. De agosto pra cá tem pilotado muito bem, de maneira sólida, e até com lampejos de genialidade, que teve até 2009. Deve esquecer Alonso, focar no seu trabalho e juntar as peças de seu sucesso. Não existe primazia dentro de uma equipe de Fórmula 1 que sobreviva aos frios números do cronômetro. Ele saba ser rápido, agora deve seguir adiante, e fazer o que fez desde moleque – acelerar;

4. Webber: o canguru australiano termina opaco o ano. Em alguns momentos pareceu que poderia protagonizar como fez em 2010. Mas o colega de garagem agora ganhou 3 títulos. Difícil não? Deve parar no final de 2013;

5. Hulkenberg: errou no acidente com Hamilton, mas não merecia ter sido punido. Excelente exibição de um piloto muito bom. Liderou quase 30 voltas da corrida, andando na frente de uma dupla barra-pesada na chuva – Hamilton e Button, que sabem correr no molhado. Tem futuro o garoto;

6. Vettel: o mais novo tricampeão deu hoje uma prova de persistência. Caiu para último depois de ter sido abalroado por Bruno Senna ainda na primeira volta. Subiu na tabela passando todo mundo, e contou ainda com Kobayashi que tirou o dia para lhe encher o saco. Seu time adotou uma estratégia errada, o rádio parou de funcionar, e o clima instável desta tarde em São Paulo também somaram-se. Sai do Brasil tricampeão. Você sabe quem são os outros tricampeões? (Brabham, Piquet, Stewart, Lauda e Senna). Algo a dizer?

7. Schumacher: dá adeus à Fórmula 1 saindo de cabeça erguida. Veio divertir-se, e parece ter feito exatamente o que queria. Besta o tempo em que vivemos, onde precisamos cobrar de alguém como ele usando seus feitos passados como parâmetro. Que seja feliz agora cuidando das crianças. Um gênio;

8. Vergne: acabo de falar sobre Schumacher no tópico acima, e agora devo escrever o que sobre este ilustre nada? Pulemos;

9. Kobayashi: Koba-mito teve um dia animado. Deu dores de cabeça em Vettel, disputou com todo mundo, foi do elenco de apoio da corrida, quase como aquele núcleo comédia das novelas, em que tudo de mais divertido acontece. Pena que o japonês não tenha carro ainda garantido pra 2013. Façamos votos para que consiga;

10: Raikkonen: Kimi completou toda as voltas de todas as corridas e pontuou em 19 das 20 etapas. Foi o terceiro colocado no campeonato, atrás apenas de Vettel e Alonso, e venceu uma corrida. Podemos arquivar a pasta em que falavamos da possível falta de motivação do finlandês? De quebra ainda protagonizou o momento mais engraçado da corrida, ao entrar por uma via fechada do autódromo e ter de dar meia volta. Outro herói do ano;

Interlagos: Button vence e Vettel é o mais jovem tricampeão da história, numa corrida caótica.

25/11/2012

Vettel, tricampeão numa corrida maluca.

Sebastian Vettel sagrou-se hoje, neste domingo de tempo oscilante, o mais jovem tricampeão mundial da história. A vitória ficou com o lorde Jenson Button numa corrida loucamente influenciada pelo clima, que mudou a cada 10 minutos, causando reviravoltas e mudanças constantes na tabela de classificação.

O alemão da Red Bull contou com o azar, a sorte, e com muita calma, numa desafiadora escalada em que chegou a estar em último lugar.

Mais tarde eu volto falando em detalhes.

Interlagos em momentos (3)

23/11/2012

Senna em 1993 no Brasil. O motor morre na volta depois da bandeirada, e a torcida invade a pista. No braços do povo, literalmente. (infelizmente não existem fotos em boa qualidade)

Num esporte distante como a Fórmula 1, em que o contato dos torcedores e fãs com os protagonistas do esporte é raro, para não dizer nulo, momentos como o da foto acima são emblemáticos.

Não tenho notícia de outro piloto comemorando tão perto de sua torcida uma vitória como a ocorrida aqui em São Paulo, no Grande Prêmio do Brasil de 1993. Ali o extrato de uma histeria coletiva em sua máxima dimensão.

Um herói nacional literalmente nos braços do povo. Às favas com a segurança, o risco aos carros pedestres e aos pilotos. A verdade é que em alguns momentos as cautelas de praxe são mera bobagem.

Procurei outras edições, mas esta apesar de não ter o áudio é a mais completa.

Senna largou em terceiro, o favorito era Alain Prost, que com um carro muito superior, projetado veja só – por Adrian Newey, não tinha adversários para a corrida.

Mas então choveu. Aquelas tempestades tropicais bem conhecidas de quem mora na Paulicéia. E então tudo mudou. A edição traz todos os momentos da corrida, inclusive o da foto acima.

De Carona (15)

21/11/2012

A corrida em Austin foi de fato muito legal, e se antes tínhamos apenas um vídeo com Jerome D’Ambrosio andando com o carro de 2011 da Renault-Lotus, agora vamos com o vencedor da primeira edição da corrida americana no Texas.

Lewis Hamilton nos leva para uma voltinha no ensolarado traçado.

Um delícia conferir as subidas e descidas, e o caprichoso desenho de algumas curvas em alta velocidade.

Que venha para ficar a corrida por aqueles lados.

Alonso em 2012, Senna em 1993.

09/11/2012

Senna em Suzuka acenando para a torcida. Sua melhor temporada foi em 1993?

Fernando Alonso também em Suzuka. O espanhol chegou ao auge em 2012? Fernando Alonso provavelmente perderá o duelo contra Sebastian Vettel pelo Campeonato Mundial de Formula 1 de 2012. Duro mas verdadeiro. Entretanto, a despeito do que possa acontecer nas duas etapas que ainda restam, nos EUA e no Brasil, uma coisa é certa: o que o espanhol da Ferrari exibiu neste ano, encontra paralelo direto com algo feito por Ele* em 1993.

Naquele já distante ano, Ayrton Senna corria com a McLaren empurrada pelo motor Ford. O time de Ron Dennis sofria com a adaptação aos menos potentes propulsores da montadora norte-americana.

Ayrton teve então de acostumar-se a tirar do carro o que ele não tinha a oferecer. O brasileiro até então contara com os foguetes preparados pela Honda, e de início percebeu que o duelo contra os carros da Williams-Renault seria cruel.

A equipe rival contava com os serviços do então inimigo mortal de Senna: o francês Alain Prost.

O paralelo com a situação de Alonso em 2012 é evidente: Senna e Fernandinho diante de Prost e Sebastian Vettel são o lado fraco nas suas respectivas disputas quando o assunto foi e é o equipamento disponível.

Entretanto, o espanhol e o brasileiro em 1993 e em 2012 tiveram provavelmente o ano em que exibiram suas mais impressionantes credenciais de talento e inteligência.

Em 1993 Senna liderou boa parte do campeonato, teve performances assombrosas como a acapachante vitória em Dogninton Park, a heróica performance em Interlagos, e os eletrizantes duelos em Silverstone e Kyalami cara a cara com Prost. Naquele ano, embora tenha sido vice campeão, Ayrton beliscou 5 vitórias, quando em realidade não tinha carro para nenhuma delas.

O mesmo pode-se dizer de Alonso. A Ferrari entregou a Fernando um carro imprevisível e ingrato no começo do ano. O acerto era impossível, as reações da máquina às modificações não correspondiam ao esperado, e os carros da ponta impunham ao time vermelho uma astrônomica diferença de quase 2 segundos inteiros em uma volta.

Ainda assim o asturiano mergulhou de cabeça no trabalho, e seguiu catando pontos. Com insucessos dos adversários, e graças a uma seqüência épica e única de 7 vencedores diferentes nas 7 primeiras corridas do ano, Alonso chegou ao quarto final da temporada numa confortável liderança da tabela. A isso, some-se uma evolução ímpar conseguida pelos engenheiros em Maranello, e hoje temos Fernando disputando a o canéco.

Senna liderou o campeonato até a metade, Alonso quase até o final. E ainda que não vençam e levem a taça para casa, em alguns anos, nem sempre o vencedor será o único lembrado.

*Escrevo Ele com maiúscula em alusão aos contornos de divindade com que a mídia e o público brasileiro dão a Ayrton Senna da Silva, um grande piloto, um dos maiores, mas certamente longe de ser infalível e intangível.