Posts Tagged ‘Lewis Hamilton’

Mercedes: cai Norbert Haug, e uma revolução pode estar em curso.

14/12/2012

Norbert Haug: de saída da Mercedes.

Depois de contratar Lewis Hamilton e trazer o tricampeão Niki Lauda para prestar uma espécie de consultoria, a equipe Mercedes deu mais um passo na tentativa de romper com a frustrante experiência vivida em 2012. Dona de um dos carros mais fortes no início, o time da estrela de três pontas naufragou ao longo do ano, sem conseguir nenhum outro resultado significativo.

E não tardou para que a primeira cabeça rolasse: o homem que comandou o departamento de competições da Mercedes por mais de 20 anos perde seu posto e não deixará saudades.

Pela arrogância com que tratava a todos no paddock, Haug colecionou atritos e choques com a imprensa, como no episódio da mentira aplicada por Hamilton nos comissários de Melbourne, em 2009, quando Norbert ainda ocupava o pitwall da McLaren, devido à sua então sociedade com a Mercedes.

Interlagos: Button vence e Vettel é o mais jovem tricampeão da história, numa corrida caótica.

25/11/2012

Vettel, tricampeão numa corrida maluca.

Sebastian Vettel sagrou-se hoje, neste domingo de tempo oscilante, o mais jovem tricampeão mundial da história. A vitória ficou com o lorde Jenson Button numa corrida loucamente influenciada pelo clima, que mudou a cada 10 minutos, causando reviravoltas e mudanças constantes na tabela de classificação.

O alemão da Red Bull contou com o azar, a sorte, e com muita calma, numa desafiadora escalada em que chegou a estar em último lugar.

Mais tarde eu volto falando em detalhes.

Interlagos: Hamilton na pole, primeira fila prateada, e Alonso torcendo por um cataclisma.

24/11/2012

Lewis Hamilton coloca McLaren na pole. Os protagonistas Vettel e Alonso tiveram uma classificação bem abaixo do esperado.

Eu acho até que já escrevi um post com este título. Mas é a mais pura verdade. A McLaren está sobrando em São Paulo. Lewis Hamilton e Jenson Button formaram a primeira fila prateada, e a concorrência pouco pôde fazer para evitar. Pior para para Sebastian Vettel, que perdendo inclusive para seu companheiro de equipe Mark Webber, ficou com o quarto posto. Mas quem de fato está chateado com o resultado é o outro candidato a tricampeão – Fernando Alonso.

Com dificuldades em diversos pontos a Ferrari ainda não se achou em Interlagos, e a esta altura dificilmente se achará. Alonso, vem tomando tempo de Felipe Massa em vários treinos, o que não é comum, e acabou classificando-se apenas na oitava posição, atrás do brasileiro, quinto.

Bruno Senna teve uma classificação aquém do esperado, e não passou ao Q3, ficando com o décimo segundo lugar. O quase aposentado Michael Schumacher ficou com a posição de número 14 naquela que foi a sua última classificação na carreira. Em entrevista prometeu uma corrida de Schumacher. Alguém deveria ter perguntado – qual Schumacher, o de 94-2006, ou o de 2010-2012? (sacanagem)

Então estamos combinados – Alonso torce para que a chuva, furacões, manada de búfalos e o PCC caiam sobre o autódromo. E Vettel só quer que nada de esquisito aconteça. Veremos, lembrando sempre que Maldonado está exatamente entre Vettel e Alonso no grid, e que Grosjean vem lá de trás. Tudo pode acontecer.

De Carona (15)

21/11/2012

A corrida em Austin foi de fato muito legal, e se antes tínhamos apenas um vídeo com Jerome D’Ambrosio andando com o carro de 2011 da Renault-Lotus, agora vamos com o vencedor da primeira edição da corrida americana no Texas.

Lewis Hamilton nos leva para uma voltinha no ensolarado traçado.

Um delícia conferir as subidas e descidas, e o caprichoso desenho de algumas curvas em alta velocidade.

Que venha para ficar a corrida por aqueles lados.

Austin: Hamilton rouba a cena, e Alonso salva um match point.

18/11/2012

Fonte: Autosport.com - A largada para o Grande Prêmio dos EUA, em Austin, inaugurando o belíssimo circuito texano.

E tudo parecia tão simples, tão pronto para Sebastian Vettel faturar o campeonato por antecipação, mas então… Mark Webber ficou pelo caminho. Com este abandono Fernando Alonso, o outro postulante ao campeonato subiu para o terceiro posto, e aí tudo começou a se complicar. Lewis Hamilton também tinha outros planos, perseguiu e ultrapassou Vettel, tomando-lhe a ponta. Este numa demonstração de maturidade soube aceitar a derrota, enfiou a viola no saco, e sabendo que o prejuízo não era lá tão grande assim, aquietou-se.

Fernando Alonso veio em terceiro, mas jamais foi adversário real dos dois ponteiros, assistindo Vettel somar mais 3 pontos à vantagem anterior de 10. A decisão com isso fica para o próximo final de semana, no Brasil. Fernandinho precisa contar com a sorte se quiser o campeonato. Chegar à frente de Vettel não basta. O espanhol tem de bons pontos a mais e torcer por um abandono da Red Bull de número 1.

Felipe Massa, o quarto colocado fez aquela que pode ter sido a sua melhor corrida no ano, escalando o pelotão desde a 11a colocação, passando vários concorrentes na pista, alguns deles em duelos eletrizantes, como aconteceu com Kimi Raikkonen.

Bruno Senna foi outro que brilhou, mostrando bastante combatividade, e uma sensível melhora em seu ritmo também em condições de classificação.

Outro que merece menção honrosa é Jenson Button. Largando com pneus duros, foi o único além de Bruno Senna a tentar um primeiro trecho mais longo, e parece ter conseguido tirar muito mais dos pneus. Subiu na tabela também, com algumas ultrapassagens eletrizantes.

No fim a Fórmula 1 fez uma volta triunfal à terrra do Tio Sam, com uma belíssima corrida num autódromo com A maiúsculo, e pode ser que tenha vindo para ficar. Os EUA merecem a F1, e a F1 merece os EUA.

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1. Hamilton: uma corridaça do piloto mais inconstante de que me lembro. Assisto corridas de Fórmula 1 assiduamente desde 1989, ainda com 6 anos de idade, e não me recordo de alguém capaz de ser tão brilhante num domingo, e tão fantasmagoricamente opaco no outro. Hamilton foi à caça e passou na pista, com autoridade aquele que será o tricampeão mundial de Fórmula 1, daqui uma semana em Interlagos. Brilhante!

2. Vettel: largou na pole, seguia na ponta, mas em dado momento não teve ritmo para segurar Hamilton. O carro da Red Bull é bom, mas não é perfeito. E as palavras de Hamilton, que de saída atira contra a McLaren são verdade – não tivesse o carro prateado sofrido com tantos problemas mecânicos ao longo do ano, e o real adversário de Alonso e da Ferrari, teria sido Lewis;

3. Alonso: Fernandinho já sabe – só pode contar com a sorte. Em uma semana a Ferrari não vai resolver os problemas que tem. Interlagos pode ser uma pista boa para os carros vermelhos, mas Vettel não precisa virar do avesso para vencer. Com um quarto lugar o alemão campeão de 2010  e 2011 liquida a fatura, independente do que Alonso aprontar. É um problemão, e eu acho que o espanhol não vai ter como descascar este abacaxi;

4. Massa: classificou-se em 6o. Perdeu 5 posições por uma troca de câmbio muy amiga que seu time resolveu lhe dar. A troca o jogou para a posição de número 11. Assim Alonso que estava classificado em 8o, subiu uma posição e partiu na largada do lado mais emborrachado da pista. Imoral, antiético, mas não fere o regulamento. Cada um sabe aonde seu calo aperta, e a Felipe resta uma coisa: andar na frente do espanhol. Nada mais pode alterar sua condição de segundo piloto. E hoje Massa deu um justo cala-boca em todo mundo. Partiu da 5a fila e chegou pertinho pertinho do espanhol, no quarto lugar, sete segundo atrás do colega. Foi muito bom. Mas isso precisa acontecer nos demais 19 finais de semana da temporada;

5. Button: subiu o pelotão inteiro, distribuiu chega-pra-lá em todo mundo e encheu os olhos de quem gosta de ultrapassagens. O gentleman driver está meio arrojado ultimamente. A convivência com Hamilton pode ter-lhe feito bem;

6. Raikkonen: Kimi fez este blogueiro mudar de opinião ao longo do ano. Eu o achava um banana super-estimado. Mas parece que o finlandês é um geniozinho que fala pouco. Já escrevi sobre ele nas últimas semanas. Um dos nomes de 2012, sem dúvidas;

7. Grosjean: já considerei-o um barbeiro, depois um diamante bruto, mas na verdade Romain é um piloto veloz e… burro. As trapalhadas em que se envolve o colocam em posições ruins. Ele teria chegado à frente de Raikkonen hoje. Mas mais uma vez o companheiro de equipe, também muito veloz e mais astuto, levou a melhor;

8. Hulkenberg: este alemão é muito bom piloto. O carro que dirige é um devorador de borracha, mas nem por isso ele desiste. Mais uma vez nos pontos;

9. Maldonado: Pastor teve um final de semana ruim, levando tempo de Senna em quase todas a sessões. Mas no final, e é na corrida que a coisa conta de verdade, chegou à frente, depois de uma acirrada disputa com Bruno;

10. Senna: o primeiro-sobrinho mais uma fez correu de maneira inteligente, e bônus – classificou-se decentemente. Mas levou a pior numa disputa de posições ao vacilar atrás de Hulkenberg. Melhor para Maldonado, que lhe surrupiou o nono lugar;

Hamilton e Rosberg sob o mesmo teto. Façam suas apostas, eu acho que vai sair faísca.

23/10/2012

Lewis Hamilton e Nico Rosberg - amigos, mas até quando?

Os dois rapazes cresceram juntos em categorias de base. Pilotaram pela mesma equipe nos tempos do kart, e brincadeira dos meninos falava do sonho de um dia dividirem uma equipe na Fórmula 1. Quis o destino, um gozador nato, já diria Luís Fernando Veríssimo, que a profecia concretizasse a parceria debaixo do teto da equipe Mercedes. Para a temporada de 2013 Nico Rosberg e Lewis Hamilton serão companheiros de equipe. O que esperar?

Filho do campeão mundial de 1982, Keke Rosberg, Nico é um piloto veloz, e com um carro decente em mãos já mostrou ser capaz de vencer, andar na frente e suportar a pressão por resultados. Pressão aliás que é o seu prato nos cafés da manhã, afinal completa agora a sua terceira temporada ao lado de Michael Schumacher ao volante das flechas de prata.

Ao longo destes anos Rosberguinho lidou bem com a presença ilustre ao seu lado, e é um sobrevivente: caso Schumacher voltasse da aposentadoria em 2010 e lhe aplicasse uma lavada, diriam que é um medíocre. Tendo superado sistematicamente o alemão, alegam os críticos que não passava de sua obrigação. Ou seja – bateu em bêbado. Mas o rapaz saiu-se muito bem, e deu a primeira vitória à equipe Mercedes justamente agora em 2012.

Do outro lado do ringue, temos uma figura curiosa e polêmica – Lewis Hamilton. Estreou em 2007 sacudindo as estruturas da McLaren, ao peitar Fernando Alonso, que também chegava do time de Ron Dennis. O fim da história todos sabem – como Senna versus Prost, ou Mansell e Piquet, a crise instalou-se, o time rachou, e ao final os dois perderam o campeonato. Alonso saiu à francesa de volta aos braços da Renault (trocadilho opcional).

Em 2008, sozinho no time que o vira crescer, (não vou computar o insosso Kovalainen nesta soma),  Lewis lutou pelo campeonato naquele cinematográfico desfecho em Interlagos, e sagrou-se campeão. Em resumo poderia parecer uma história bem simples. Mas não. Hamilton é uma pessoa instável, impulsiva, e contrabalanceia uma monstruosa habilidade e velocidade com seu gênio difícil e flagrante falta de freio na língua.

Semanas atrás foi ao Twitter, como um adolescente, e despejou em seus 1.1 milhão de seguidores o descontentamento por ter tomado unfollow do companheiro de equipe Jenson Button, logo após anunciar sua saída da McLaren. Horas depois descobriu que Button jamais o seguiu no microblog,  e retratou-se de maneira esfarrapada. A besteira estava feita.

Já teve inúmeros conflitos na pista e fora dela – quem não lembra do homérico arranca-rabo entre ele e Felipe Massa em 2011? Já falou demais reclamando dos fiscais que lhe “perseguiam”, rompeu com seu pai-empresário, brigou publicamente com a McLaren por questões financeiras, e foi flagrado pedindo emprego a Christian Horner no motorhome da Red Bull em Montreal/2011.

Mas a pergunta fica – eu agora? Sob o mesmo teto temperamentos diferentes, pilotos diferentes, e temperamentos também muito diversos. Hamilton, obviamente foi contratado para levar a Mercedes ao topo, coisa que Rosberg e Schumacher não conseguiram até então.

É óbvio que vai querer chegar “chegando”. Rosberg por sua vez corre com eles desde 2010, e não pretende ceder o terreno conquistado superando ninguém menos do que Michael Schumacher.

Poucas equipes, ou talvez apenas a McLaren tenham coragem e tamanho para permitir que seus pilotos, ainda que colocando tudo pelos ares, lutem internamente sem interferência. Nem mesmo a Red Bull parece fazer isso, para descontentamento de Mark Webber em alguns momentos.

A Mercedes existe sob as estruturas do que foi a Brawn, e antes dela a Honda, BAR, e Tyrrel. Ou seja, todas elas equipes pequenas, e que não suportam duas super-estrelas sob o mesmo teto. – Ah mas a Brawn foi campeão em 2009… – dirá o especialista-chato de plantão. Sim, mas aquilo foi uma circunstância político-esportiva.

Faltará mamadeira para os dois bebês, e eu acredito que não demora até o clima esquentar. Rosberg tenta firmar-se como piloto de ponta, e Hamilton vem com a missão de liderar uma esquadra vencedora, o que eu não acredito ser uma tarefa ao seu alcance pela imaturidade. Vai sair faísca.