Posts Tagged ‘Interlagos’

Raikkonen e os (des)caminhos de Interlagos.

26/11/2012

No meio da chuva que caiu ontem sobre Interlagos e a cidade de São Paulo, na freada para a Junção Kimi Raikkonen perdeu o controle. O que provavelmente pensou então o finlandês? – Não vou sujar meus pneus, conheço o caminho. Em 2001 Kimi perdeu-se no mesmo local e aproveitou o traçado antigo, onde as categorias de apoio ao evento, no caso a Porsche Cup, tem seus boxes, e voltou à pista.

Ontem aconteceu a mesma coisa. E o homem de gelo foi direto para o mesmo acesso. Lá chegando encontrou uma porteira fechada, e teve de voltar. Por essas e outras que Raikkonen é a figura ímpar que hoje dá graça no grid exatamente por ser tão sem graça e disparar pérolas inesquecíveis.

Questionado sobre a manobra engraçada, ele não perdoou: Tinha passado por ali em 2001, e desta vez havia um portão fechado. Ano que vem vou me certificar de que está aberto.

 

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Interlagos: um thriller de cinema, com elementos de 2008.

26/11/2012

Vettel comemora. O mais novo tricampeão mundial de Fórmula 1.

E o que dizer da corrida? As mudanças na condição do binômio clima-asfalto, lembraram muito a corrida louca disputada em Dogninton Park, no Grande Prêmio da Europa de 1993, vencida por Ele*. A recuperação de Sebastian Vettel, que foi atingido por Bruno Senna na curva do Lago, ainda na primeira volta, também me lembrou a escalada de Dele* em Suzuka-1988. E a corrida como um todo, a decisão do campeonato dramática como foi trouxe elementos de 2008, quando Hamilton e Mass, bem vocês sabem… Em suma, todos os elementos para uma definicão digna da temporada espetacular que tivemos.

Em dado momento, os doze primeiros eram simplesmente geniais. Uma fila indiana em que o último era Kimi Raikkonen, e na frente dele ninguém menos que Michael Schumacher. Ora, que fase especial que temos diante de nossos olhos, quando coadjuvam uma corrida dois pilotos desse calibre.

Venceu o melhor? Difícil dizer. Mas o título certamente está em ótimas mãos. Vettel veio catando pontos no começo do ano, quando o carro da Red Bull sofria para adaptar-se à falta que o difusor soprado lhe fazia (proibido que foi pelo regulamento). Foi marcando pontos, somando colocações intermediárias, alguns pódios e corridas neutras, sem grandes shows.

De repente Adrian Newey e Vettel se acharam. E o carro melhorou. Não foi sorte. Vettel mergulha em reuniões intermináveis com seus engenheiros, lendo dados de telemetria e espremendo até a última gota na busca por dois ou três décimos de segundo.

Mas o salto dado não foi suficiente para ser esmagadoramente superior, pois a McLaren também achou o caminho e era mais rápida. Ainda assim Sebastião soube encaixar uma sequência de vitórias que somada ao azar duplo de Alonso em dois abandonos e ao carro da Ferrari que simplesmente parou no tempo deu-lhe condições de chegar aqui como chegou.

Alonso por seu lado pegou um carro lamentável nas mãos. A Ferrari resolveu ousar no projeto. E quem ousa tem sempre o risco – ou acerta muito, ou erra muito. A segunda alternativa pareceu ter ocorrido. O carro vermelho tomava mais de um segundo inteiro por volta de McLaren e Red Bull. O acerto era imprevisível, as mudanças não deram resultados. No meio da temporada o pessoal de Maranello conseguiu achar o interruptor que acendia a luz, e saíram do escuro, o rumo foi encontrado. Ali Fernandinho pareceu ser o homem do ano. Soube beliscar resultados inteligentemente, e quando lhe deram um carro melhor, foi pra frente.

De repente o desenvolvimento na Ferrari estancou. Dizem alguns que o problema foi no túnel de vento. O fato é que o espanhol está dando indiretas, dizendo que o carro apresenta alguns pontos críticos já há 6 meses. Num entrevero com um engenheiro chefe da Ferrari, Alonso foi ao Twitter e disparou – desde Barcelona em maio, que a aerodinâmica da Ferrari é a mesma. Caro leitor, caso você não saiba, uma equipe de ponta na Fórmula 1 traz peças novas e modificações em seus carros corrida a corrida. Isso tirou Fernando do sério.

Para coroar um ano em que 7 pilotos diferentes venceram as 7 primeiras corridas, tivemos o desfecho em Interlagos, um dos mais espetaculares circuitos do mundo, diante da torcida mais animada e divertida, e com um clima doentiamente instável. Épico, de novo!

A turma da Red Bull comemora com seu pupílo.

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1. Button: em corridas loucas como a deste domingo Jenson, dotado de uma inteligência acima da média do grid, sempre se sobressai. O inglês, além de saber ler muito bem as condicões da pista, tem a famosa tocada suave e gentil com o carro e os pneus. O resultado é esse. Bela vitória. É o nome de McLaren para 2013;

2. Alonso: por momentos o espanhol teve o título nas mãos, quando Vettel e a Red Bull erraram nos pits e o rival na disputa pelo título esteve fora da zona de pontuação. Fez uma excelente temporada, tirou da Ferrari muito mais do que ela tinha a oferecer, mas não deu. Seu oponente é osso duríssimo de roer;

3. Massa: termina em alta um ano que começou com nuvens negras no horizonte. De agosto pra cá tem pilotado muito bem, de maneira sólida, e até com lampejos de genialidade, que teve até 2009. Deve esquecer Alonso, focar no seu trabalho e juntar as peças de seu sucesso. Não existe primazia dentro de uma equipe de Fórmula 1 que sobreviva aos frios números do cronômetro. Ele saba ser rápido, agora deve seguir adiante, e fazer o que fez desde moleque – acelerar;

4. Webber: o canguru australiano termina opaco o ano. Em alguns momentos pareceu que poderia protagonizar como fez em 2010. Mas o colega de garagem agora ganhou 3 títulos. Difícil não? Deve parar no final de 2013;

5. Hulkenberg: errou no acidente com Hamilton, mas não merecia ter sido punido. Excelente exibição de um piloto muito bom. Liderou quase 30 voltas da corrida, andando na frente de uma dupla barra-pesada na chuva – Hamilton e Button, que sabem correr no molhado. Tem futuro o garoto;

6. Vettel: o mais novo tricampeão deu hoje uma prova de persistência. Caiu para último depois de ter sido abalroado por Bruno Senna ainda na primeira volta. Subiu na tabela passando todo mundo, e contou ainda com Kobayashi que tirou o dia para lhe encher o saco. Seu time adotou uma estratégia errada, o rádio parou de funcionar, e o clima instável desta tarde em São Paulo também somaram-se. Sai do Brasil tricampeão. Você sabe quem são os outros tricampeões? (Brabham, Piquet, Stewart, Lauda e Senna). Algo a dizer?

7. Schumacher: dá adeus à Fórmula 1 saindo de cabeça erguida. Veio divertir-se, e parece ter feito exatamente o que queria. Besta o tempo em que vivemos, onde precisamos cobrar de alguém como ele usando seus feitos passados como parâmetro. Que seja feliz agora cuidando das crianças. Um gênio;

8. Vergne: acabo de falar sobre Schumacher no tópico acima, e agora devo escrever o que sobre este ilustre nada? Pulemos;

9. Kobayashi: Koba-mito teve um dia animado. Deu dores de cabeça em Vettel, disputou com todo mundo, foi do elenco de apoio da corrida, quase como aquele núcleo comédia das novelas, em que tudo de mais divertido acontece. Pena que o japonês não tenha carro ainda garantido pra 2013. Façamos votos para que consiga;

10: Raikkonen: Kimi completou toda as voltas de todas as corridas e pontuou em 19 das 20 etapas. Foi o terceiro colocado no campeonato, atrás apenas de Vettel e Alonso, e venceu uma corrida. Podemos arquivar a pasta em que falavamos da possível falta de motivação do finlandês? De quebra ainda protagonizou o momento mais engraçado da corrida, ao entrar por uma via fechada do autódromo e ter de dar meia volta. Outro herói do ano;

Interlagos: Button vence e Vettel é o mais jovem tricampeão da história, numa corrida caótica.

25/11/2012

Vettel, tricampeão numa corrida maluca.

Sebastian Vettel sagrou-se hoje, neste domingo de tempo oscilante, o mais jovem tricampeão mundial da história. A vitória ficou com o lorde Jenson Button numa corrida loucamente influenciada pelo clima, que mudou a cada 10 minutos, causando reviravoltas e mudanças constantes na tabela de classificação.

O alemão da Red Bull contou com o azar, a sorte, e com muita calma, numa desafiadora escalada em que chegou a estar em último lugar.

Mais tarde eu volto falando em detalhes.

Interlagos em momentos (4)

24/11/2012

Rubens Barrichello, hoje já não mais correndo, apesar de jamais ter vencido no Brasil, protagonizou alguns momentos de grande emoção no asfalto paulistano. Um deles foi a pole position de 2004. O carro era fantástico, o brasileiro estava pilotando demais naquele ano – tanto que foi vice campeão – e não deu outra. Uma volta matadora.

 

Interlagos: Hamilton na pole, primeira fila prateada, e Alonso torcendo por um cataclisma.

24/11/2012

Lewis Hamilton coloca McLaren na pole. Os protagonistas Vettel e Alonso tiveram uma classificação bem abaixo do esperado.

Eu acho até que já escrevi um post com este título. Mas é a mais pura verdade. A McLaren está sobrando em São Paulo. Lewis Hamilton e Jenson Button formaram a primeira fila prateada, e a concorrência pouco pôde fazer para evitar. Pior para para Sebastian Vettel, que perdendo inclusive para seu companheiro de equipe Mark Webber, ficou com o quarto posto. Mas quem de fato está chateado com o resultado é o outro candidato a tricampeão – Fernando Alonso.

Com dificuldades em diversos pontos a Ferrari ainda não se achou em Interlagos, e a esta altura dificilmente se achará. Alonso, vem tomando tempo de Felipe Massa em vários treinos, o que não é comum, e acabou classificando-se apenas na oitava posição, atrás do brasileiro, quinto.

Bruno Senna teve uma classificação aquém do esperado, e não passou ao Q3, ficando com o décimo segundo lugar. O quase aposentado Michael Schumacher ficou com a posição de número 14 naquela que foi a sua última classificação na carreira. Em entrevista prometeu uma corrida de Schumacher. Alguém deveria ter perguntado – qual Schumacher, o de 94-2006, ou o de 2010-2012? (sacanagem)

Então estamos combinados – Alonso torce para que a chuva, furacões, manada de búfalos e o PCC caiam sobre o autódromo. E Vettel só quer que nada de esquisito aconteça. Veremos, lembrando sempre que Maldonado está exatamente entre Vettel e Alonso no grid, e que Grosjean vem lá de trás. Tudo pode acontecer.

Interlagos em momentos (3)

23/11/2012

Senna em 1993 no Brasil. O motor morre na volta depois da bandeirada, e a torcida invade a pista. No braços do povo, literalmente. (infelizmente não existem fotos em boa qualidade)

Num esporte distante como a Fórmula 1, em que o contato dos torcedores e fãs com os protagonistas do esporte é raro, para não dizer nulo, momentos como o da foto acima são emblemáticos.

Não tenho notícia de outro piloto comemorando tão perto de sua torcida uma vitória como a ocorrida aqui em São Paulo, no Grande Prêmio do Brasil de 1993. Ali o extrato de uma histeria coletiva em sua máxima dimensão.

Um herói nacional literalmente nos braços do povo. Às favas com a segurança, o risco aos carros pedestres e aos pilotos. A verdade é que em alguns momentos as cautelas de praxe são mera bobagem.

Procurei outras edições, mas esta apesar de não ter o áudio é a mais completa.

Senna largou em terceiro, o favorito era Alain Prost, que com um carro muito superior, projetado veja só – por Adrian Newey, não tinha adversários para a corrida.

Mas então choveu. Aquelas tempestades tropicais bem conhecidas de quem mora na Paulicéia. E então tudo mudou. A edição traz todos os momentos da corrida, inclusive o da foto acima.