Posts Tagged ‘Adrian Newey’

Interlagos: um thriller de cinema, com elementos de 2008.

26/11/2012

Vettel comemora. O mais novo tricampeão mundial de Fórmula 1.

E o que dizer da corrida? As mudanças na condição do binômio clima-asfalto, lembraram muito a corrida louca disputada em Dogninton Park, no Grande Prêmio da Europa de 1993, vencida por Ele*. A recuperação de Sebastian Vettel, que foi atingido por Bruno Senna na curva do Lago, ainda na primeira volta, também me lembrou a escalada de Dele* em Suzuka-1988. E a corrida como um todo, a decisão do campeonato dramática como foi trouxe elementos de 2008, quando Hamilton e Mass, bem vocês sabem… Em suma, todos os elementos para uma definicão digna da temporada espetacular que tivemos.

Em dado momento, os doze primeiros eram simplesmente geniais. Uma fila indiana em que o último era Kimi Raikkonen, e na frente dele ninguém menos que Michael Schumacher. Ora, que fase especial que temos diante de nossos olhos, quando coadjuvam uma corrida dois pilotos desse calibre.

Venceu o melhor? Difícil dizer. Mas o título certamente está em ótimas mãos. Vettel veio catando pontos no começo do ano, quando o carro da Red Bull sofria para adaptar-se à falta que o difusor soprado lhe fazia (proibido que foi pelo regulamento). Foi marcando pontos, somando colocações intermediárias, alguns pódios e corridas neutras, sem grandes shows.

De repente Adrian Newey e Vettel se acharam. E o carro melhorou. Não foi sorte. Vettel mergulha em reuniões intermináveis com seus engenheiros, lendo dados de telemetria e espremendo até a última gota na busca por dois ou três décimos de segundo.

Mas o salto dado não foi suficiente para ser esmagadoramente superior, pois a McLaren também achou o caminho e era mais rápida. Ainda assim Sebastião soube encaixar uma sequência de vitórias que somada ao azar duplo de Alonso em dois abandonos e ao carro da Ferrari que simplesmente parou no tempo deu-lhe condições de chegar aqui como chegou.

Alonso por seu lado pegou um carro lamentável nas mãos. A Ferrari resolveu ousar no projeto. E quem ousa tem sempre o risco – ou acerta muito, ou erra muito. A segunda alternativa pareceu ter ocorrido. O carro vermelho tomava mais de um segundo inteiro por volta de McLaren e Red Bull. O acerto era imprevisível, as mudanças não deram resultados. No meio da temporada o pessoal de Maranello conseguiu achar o interruptor que acendia a luz, e saíram do escuro, o rumo foi encontrado. Ali Fernandinho pareceu ser o homem do ano. Soube beliscar resultados inteligentemente, e quando lhe deram um carro melhor, foi pra frente.

De repente o desenvolvimento na Ferrari estancou. Dizem alguns que o problema foi no túnel de vento. O fato é que o espanhol está dando indiretas, dizendo que o carro apresenta alguns pontos críticos já há 6 meses. Num entrevero com um engenheiro chefe da Ferrari, Alonso foi ao Twitter e disparou – desde Barcelona em maio, que a aerodinâmica da Ferrari é a mesma. Caro leitor, caso você não saiba, uma equipe de ponta na Fórmula 1 traz peças novas e modificações em seus carros corrida a corrida. Isso tirou Fernando do sério.

Para coroar um ano em que 7 pilotos diferentes venceram as 7 primeiras corridas, tivemos o desfecho em Interlagos, um dos mais espetaculares circuitos do mundo, diante da torcida mais animada e divertida, e com um clima doentiamente instável. Épico, de novo!

A turma da Red Bull comemora com seu pupílo.

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1. Button: em corridas loucas como a deste domingo Jenson, dotado de uma inteligência acima da média do grid, sempre se sobressai. O inglês, além de saber ler muito bem as condicões da pista, tem a famosa tocada suave e gentil com o carro e os pneus. O resultado é esse. Bela vitória. É o nome de McLaren para 2013;

2. Alonso: por momentos o espanhol teve o título nas mãos, quando Vettel e a Red Bull erraram nos pits e o rival na disputa pelo título esteve fora da zona de pontuação. Fez uma excelente temporada, tirou da Ferrari muito mais do que ela tinha a oferecer, mas não deu. Seu oponente é osso duríssimo de roer;

3. Massa: termina em alta um ano que começou com nuvens negras no horizonte. De agosto pra cá tem pilotado muito bem, de maneira sólida, e até com lampejos de genialidade, que teve até 2009. Deve esquecer Alonso, focar no seu trabalho e juntar as peças de seu sucesso. Não existe primazia dentro de uma equipe de Fórmula 1 que sobreviva aos frios números do cronômetro. Ele saba ser rápido, agora deve seguir adiante, e fazer o que fez desde moleque – acelerar;

4. Webber: o canguru australiano termina opaco o ano. Em alguns momentos pareceu que poderia protagonizar como fez em 2010. Mas o colega de garagem agora ganhou 3 títulos. Difícil não? Deve parar no final de 2013;

5. Hulkenberg: errou no acidente com Hamilton, mas não merecia ter sido punido. Excelente exibição de um piloto muito bom. Liderou quase 30 voltas da corrida, andando na frente de uma dupla barra-pesada na chuva – Hamilton e Button, que sabem correr no molhado. Tem futuro o garoto;

6. Vettel: o mais novo tricampeão deu hoje uma prova de persistência. Caiu para último depois de ter sido abalroado por Bruno Senna ainda na primeira volta. Subiu na tabela passando todo mundo, e contou ainda com Kobayashi que tirou o dia para lhe encher o saco. Seu time adotou uma estratégia errada, o rádio parou de funcionar, e o clima instável desta tarde em São Paulo também somaram-se. Sai do Brasil tricampeão. Você sabe quem são os outros tricampeões? (Brabham, Piquet, Stewart, Lauda e Senna). Algo a dizer?

7. Schumacher: dá adeus à Fórmula 1 saindo de cabeça erguida. Veio divertir-se, e parece ter feito exatamente o que queria. Besta o tempo em que vivemos, onde precisamos cobrar de alguém como ele usando seus feitos passados como parâmetro. Que seja feliz agora cuidando das crianças. Um gênio;

8. Vergne: acabo de falar sobre Schumacher no tópico acima, e agora devo escrever o que sobre este ilustre nada? Pulemos;

9. Kobayashi: Koba-mito teve um dia animado. Deu dores de cabeça em Vettel, disputou com todo mundo, foi do elenco de apoio da corrida, quase como aquele núcleo comédia das novelas, em que tudo de mais divertido acontece. Pena que o japonês não tenha carro ainda garantido pra 2013. Façamos votos para que consiga;

10: Raikkonen: Kimi completou toda as voltas de todas as corridas e pontuou em 19 das 20 etapas. Foi o terceiro colocado no campeonato, atrás apenas de Vettel e Alonso, e venceu uma corrida. Podemos arquivar a pasta em que falavamos da possível falta de motivação do finlandês? De quebra ainda protagonizou o momento mais engraçado da corrida, ao entrar por uma via fechada do autódromo e ter de dar meia volta. Outro herói do ano;

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De Carona (13)

06/10/2012

Logo mais tarde temos corrida. E para que todo mundo experimente uma volta em Suzuka, a pista onde acontecerá mais uma etapa do campeonato, hoje vamos de carona com Sebastian Vettel e o fantástico carro da  Red Bulll de 2011.

Nesta noite o jovem alemão cravou a pole de novo, e repete 2011, largando na frente e agora começa a dar coceiras em Fernando Alonso.

Note a impressionante pressão aerodinâmica gerada pelo modelo concebido pelo geniozinho Adrian Newey. Fantástico. E Vettel estava pilotando o fino.

Causos (10)

17/07/2012

Capacete de Maurício Gugelmin lixado após acidente em Paul Ricard, 1989

Em 1989 Maurício Gugelmin, brasileiro de Joinville, fazia seu segundo ano na Fórmula 1, correndo pela modesta equipe March. O time contava com um jovem engenheiro (ainda com cabelos), chamado Adrian Newey, de quem muitos ouviriam falar no futuro, e vez por outra começava a querer por “suas manguinhas de fora”, incomodando as gigantes forças Ferrari-McLaren-Williams e mais distante a Benetton.

Quando o circo colorido chegou ao veloz autódromo de Paul Ricard para o Grande Prêmio da França, Maurício classificou seu carro azul claro no 10º lugar do grid. Sabendo das limitações de seu equipamento, Gugelmin surpreendeu-se com o bom ritmo demonstrado nos treinos de aquecimento (warm-up), que ocorriam nas manhãs de domingo antes de serem extintos pelo regulamento.

Animado, o brasileiro resolveu que na largada buscaria o máximo possível de posições, tentando depois poupar os pneus e contar com a sorte para ir aos pontos, o que seria um resultado muito animador para seu time.

Por superstição, Gugelmin não costumava estrear capacetes em dias de corrida, deixando para levar à pista pela primeira vez os cascos novos em treinos de sexta e sábado. Neste dia, contudo, foi diferente e o rapaz de Joinville não repetiu seu antigo hábito, colocou um capacete novo, e foi para a pista. Ao alinhar no grid o brasileiro mal podia imaginar o que lhe aguardava na primeira curva.

Ao atrasar a freada na tentativa de buscar ganhar posições o brasileiro, com pneus e freios ainda frios, viu suas rodas dianteiras bloquearem, perdeu o controle do carro e foi como um torpedo em direção à Ferrari de Nigel Mansell e a Williams de Thierry Boutsen.

A March azul clara deu uma cambalhota espetacular e caiu de bruços ainda com alguma velocidade fazendo Maurício sentir o capacete lixar no asfalto abrasivo da área de escape.

Maurício Gugelmin deslizando pela área de escape em Paul Ricard.

O brasileiro disse ter pensado: “- É agora que eu apago”, temendo pelo pior.

Felizmente o piloto saiu andando do carro, ou melhor correndo, e com a interrupção da corrida (antigamente não tínhamos safety-car na Fórmula 1), pulou dentro do carro reserva e alinhou para a nova largada.

Fez então boa corrida até abandonar com problemas no carro, e ao caso de má-sorte pelo capacete novo deu de ombros: “- Na segunda largada ele já não era mais novo…”.

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O Frágil Equilíbrio

06/07/2012

“Ah, domínio da Ferrari (ou Red Bull, McLaren, Lotus, Benetton, Williams…) está acabando com a Fórmula 1!”, “Não tem mais graça, pois sempre o mesmo piloto vence…”, “Eu prefiro a Indy, pois nunca se sabe quem vai levar a melhor”. Todas estas frases são muito comuns nos almoços de segunda-feira, quando no Brasil e mundo a fora, especialistas vociferam contra a hegemonia de determinado piloto ou equipe, sentenciando que a categoria máxima do automobilismo estaria com os dias contados. Nos dias atuais, ao menos em 2012, o inverso acontece, e absolutamente ninguém pode prever quem sairá vencedor de uma corrida. Em parte pela estabilidade no regulamento, que tende a fazer com que todos se aproximem, engessando as mudanças que sempre estimulam os dotados mais recursos (leia-se dinheiro), a encontrar sacadas de engenharia que rendem desempenho, e em parte por causa também dos pneus. Mas este frágil equilíbrio de forças na realidade é exceção, não regra, e agora começa a ser novamente ameaçado. O responsável? Sr. Adrian Newey, mais uma vez prestes a colocar a concorrência para correr atrás dos carros saídos de sua prancheta.

Ao longo de seus 60 anos a Fórmula 1 caracterizou-se pelo domínio imposto por uma ou duas equipes, e não mais do que três ou quatro pilotos simultaneamente monopolizando a disputa pelas vitorias e títulos. A turma da ponta nem sempre é a mesma, mas o topo da pirâmide mostra-se um lugar cobiçado e apertado, onde não há lugar para todos. Nesta temporada temos pujante alternância de vencedores, corridas movimentadíssimas e disputas renhidas até a última volta, mas alguém acredita que o pessoal da frente desaprendeu a vencer.

Na Red Bull, equipe que não por acaso tem um ótimo orçamento, um grande piloto e o melhor dos engenheiros (o já mencionado Adrian Newey), ninguém está satisfeito em perder a massacrante vantagem imposta em 2011 sobre a concorrência. Resultado: Newey e sua turma debruçaram-se sobre o projeto deste ano, e em pouco mais de 3 meses entregaram em Valência um carro quase integralmente novo. Fernando Alonso venceu a corrida, é fato, mas alguém reparou na vantagem que Vettel havia aplicado sobre o segundo colocado até a entrada do safety-car? Assombrosa!

Na classificação Sebastian também abriu grande diferença na tabela de tempos, e mostrou que o pessoal da fábrica em Milton Keynes ainda leva jeito para carros velozes. Uma pane tirou a taça das mãos do jovem alemão, mas não se enganem: a tendência é de que a Red Bull consolide agora sua vantagem. *

*Choveu nesta manhã em Silverstone, e com chuva. No molhado todos os prognósticos perdem a validade, e o possível domínio da Red Bull e Vettel não poderá ser comprovado;

Trabalhando nas férias.

13/08/2010

Depois do último Grande Prêmio, disputado na Hungria, a Fórmula 1 entra em breve recesso por 3 finais de semana seguidos. Neste período é proibido o funcionamento das fábricas, no que seria uma janela de descanso para o pessoal das equipes estar com suas famílias durante parte do verão europeu. A legislação local prevê tal direito.

Porém, embora as fábricas estejam fechadas, o certo é que o trabalho segue em ritmo acelerado com a fase decisiva da temporada. Já incluída a próxima prova, em Spa na Bélgica, restam 7 Grandes Prêmios a serem disputados.  

As três equipes diretamente disputando o campeonato de construtores e pilotos tem de trabalhar duro, cada uma com uma tarefa diferente e igualmente dura.

A Red Bull procura manter seu excelente desempenho, e sabe que deverá dar o pulo do gato mais uma vez, de forma a neutralizar o avanço da concorrência. Já conseguiram tal façanha em repetidas ocasiões, apoiados no inesgotável talento de Adrian Newey, o seu mago das pranchetas, embora passo a passo tenham perdido alguns décimos de segundo na dianteira relativa às outras rivais.

A Ferrari sabe que a hora é agora. Deve buscar ao máximo encostar na equipe do touro vermelho e para tanto levará já para a Bélgica seus carros com a parte traseira inteiramente revisada e modificada. Uma caixa de câmbio mais alta e melhor posicionada, possibilitando a adoção do famigerado duto-escapamento – outra invenção de Newey – é a promessa visando encostar no time de Vettel e Webber.

Já a McLaren, que em várias provas da temporada fez forte frente ao ritmo da Red Bull, parece desde Valência ter andado para trás, ou mais claramente ter andado pra frente num ritmo menor comparado às rivais. Isso levou Hamilton e Button a praticamente sair da disputa pelo pódio, e consequentemente pelas vitórias. Também estão nestas semanas de folga arrancando os cabelos para encontrar soluções a queda de desempenho recente.

O certo é que mesmo com as fábricas fechadas, os times estão a todo vapor, e pudera, não seria prudente não estarem, com o campeonato completamente aberto e 20 pontos dos 175 em disputa separando os 5 primeiros colocados.