Archive for the ‘Causos’ Category

Causos (13)

01/10/2012

Hellé Nice, a destemida piloto francesa.

A francesa Mariette Hélène Delangle veio ao mundo em 15 de dezembro de 1900, na cidadezinha de Aunay-sous-Auneau, na França, nascida em família muito humilde, tendo o pai trabalhando como carteiro. Em sua tenra idade acompanhou o passos finais da revolução industrial e o mundo em ebulição que desembocaram na Primeira Guerra Mundial, e vivenciava a dura realidade das mulheres neste período ainda colonial, onde as liberdades femininas eram por demais restritas.

Na França interiorana às mulheres era relegado um status inferior na sociedade, e o desempenho apenas de trabalhos domésticos e a pacata vida de esposa.

Dona de um gênio irascível, temperamento forte e pouca ou nenhuma disposição para o destino que lhe fora reservado, em meio ao caótico cenário ao seu redor, Mariette subverteu o seu entorno e tornou-se uma conhecida dançarina do Cassino de Paris, estrelando sob o nome artístico de Hellé-Nice.

Com esta personalidade, incomum à época e lidando diretamente com homens que frequentavam o local, a moça desenvolveu um gosto particular por automóveis, algo reservado quase que exclusivamente aos homens a época. Mas o gosto de Hellé-Nice não restringia-se ao que poderíamos imaginar para a época: admirar os carros. Não, a donzela gostava de pilotar, e em alta velocidade!

Nos idos dos anos 30, conseguiu um Bugatti T35C e passou a participar de Grandes Prêmios, corridas estas que são as bisavós da Fórmula 1 que hoje  conhecemos.

Hellé-Nice enfrentou nas pistas os grandes de seu tempo, como Tazio Nuvolari, Raymond Sommer, Piero Taruffi, Jean Pierre Wimille, Achile Varzi. Em suas primeiras aparições, a piloto conformava-se em concluir as provas, ganhando experiência e bagagem neste mundo inteiramente novo e desafiador.

Em 1934, nossa heroína coloca as mãos num Alfa Romeo “Monza”, pintado de azul. Como um personagem inusitado, um jeito extrovertido, e o engraçado hábito de correr com a boca aberta (sem medo dos insetos), torna-se uma figura festejada e que atraia muita atenção nas corridas. (Hoje não teria dificuldade em arrumar patrocinador).

Hellé Nice, posando para foto sobre sua máquina.

Em 1936, desembarcou no Brasil para disputar o Grande Prêmio do Brasil, no lendário circuito da Gávea, conhecido como o “Trampolim do Diabo”, nas ruas da Zona Sul fluminense.

Hellé-Nice foi recebida com espanto na provinciana cidade da década de 30. Uma mulher que pilotava audaz e destemida um carro de corridas, fumava, usava calçase enfrentava os heróis locais Carlo Pintacuda, Chico Landi e o pioneiro Barão de Teffé despertava a imensa curiosidade do público local.

Terminando a prova em oitavo lugar, a ousada mulher ao volante gerou uma impressão tão marcante, que houve um surto de Helenices nas crianças batizadas à época.

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Causos (12)

07/09/2012

Notícia do sequestro de Juan Manuel Fangio.

Um dos fatos mais insólitos da história do esporte a motor deu-se em fevereiro de 1958, em Cuba. Naquela época, desenrolava-se a Revolução Cubana, e seria disputado o Grande Prêmio daquele país. A prova, com participação de expoentes da velocidade vindos da Europa, era uma forma encontrada pela ditadura de Fulgencio Batista para propagandear a normalidade do regime vigente, e de que tudo estava indo muito bem na ilha. Algo parecido aconteceu neste ano no Bahrein, e novamente as corridas de carro participaram da papagaiada.

Seria disputada em Havana uma prova extra-campeonato, que não contaria pontos, mas com a presença de alguns dos carros e pilotos inscritos no Campeonato Mundial de Fórmula 1. A maior estrela a desembarcar em território cubano era o já pentacampeão Juan Manuel Fangio, convidado pela organização da prova.

Sem querer, entretanto, o astro argentino, então uma estrela internacional, acabou virando personagem chave numa dramática ação da guerrilha para chamar a atenção à sua causa.

Na véspera do Grande Prêmio, Fangio reuniu-se com seus mecânicos no saguão do Hotel Lincoln, e estava confiante na vitória no dia seguinte. De repente um homem armado com uma pistola irrompeu hotel adentro, e anunciou o sequestro do piloto: “Desculpe Juan, mas terá que me acompanhar.” Era um membro do Movimento 26 de Julho, a guerrilha liderada por Fidel Castro.

Diante da cena todos permaneceram imóveis. O piloto Alejandro D’ Tomaso, presente ao momento, fez um breve movimento com as mãos, ao que o sequestrador respondeu aos berros: “Cuidado, se mexer eu atiro! Outro movimento e os mato!”

Cartaz com a arte para promoção do Grande Prêmio de Cuba.

Fangio, tranquilo, não acreditou de inicio que tratava-se de um sequestro, e não resistiu (pensando ser um trote do seu empresário). Foi então conduzido ao interior de um carro, sempre com a arma apontada para suas costas.

Após circularem com o ilustre refém por cerca de uma hora, escondido deitado no assoalho do carro, os sequestradores levaram a vítima ao local de cativeiro. De lá transferiram- no vendado para outro local, num bairro nobre da capital cubana.

Ao chegar Juan Manuel ouviu comemoração e festejos dos homens presentes, e alguns até lhe pediram autógrafos. Sempre tranquilo, o lendário piloto ainda chegou a reclamar que estava faminto.

A dona da casa, simpatizante da causa guerrilheira lhe serviu uma refeição, e na manhã seguinte os raptores lhe atenderam ao pedido, de comunicar à sua família o ocorrido.

Trouxeram-lhe jornais, mas o argentino das pistas recusou-se a assistir pela TV a transmissão da prova.

Naquela edição da corrida, um trecho muito perigoso do traçado, com um salto onde os carros deixavam por instantes de tocar o solo, quase desmanchava a frágil estrutura dos carros. Um acidente ocorrido com dois carros feriu 40 pessoas, e matou 6 pessoas, arrancando de Fangio a frase: “Senhores, vocês me fizeram um favor…”.

Fidel Castro e membros do Movimento 26 de Julho, em foto clássica da Revolução Cubana.

Os guerrilheiros pretendiam manter Juan Manuel Fangio em cativeiro até o término da prova. Ao final do Grande Prêmio, puseram-se a pensar numa solução para devolver o piloto à liberdade e não correr riscos, posto que a morte acidental de Fangio num tiroteio, ou num assassinato pelas forças de repressão leais à ditadura seria fulminante para a imagem do Movimento.

Astuto e muito bem articulado na fala, Juan Manuel sugeriu ser levado à embaixada argetina na capital, onde o embaixador designado era primo de ninguém menos do que Che Guevara. O mito da velocidade então, ao ser deixado, sorridente e pacífico: anunciou: “esses são meus amigos, os seqüestradores”, e obteve garantias de que nenhum mal seria feito a eles naquele local. Foram 26 horas de cativeiro.

Os revolucionários venceram esse jogo, pois Fangio se tornou uma espécie de embaixador do movimento ao mostrar para a imprensa de todo o mundo que o seu seqüestro não foi algo tão hediondo, e que as intenções dos revoltosos eram boas. A repercussão foi positiva para o Movimento 26 de Julho.

Ao assumir o poder, com a vitória de Revolução, Fidel Castro enviou um convite a Fangio para vistiar a ilha. Quando completaram-se 25 anos da vitória, o piloto recebeu um telegrama de Fidel com saudações de “seus amigos, os sequestradores”. Em seu aniversário de 80 anos, uma vez mais foi saudado pelos “seus amigos, os sequestradores”.

Juan Manuel Fangio encontra-se com o ditador Batista em Cuba, dias antes do sequestro.

Causos (11)

05/08/2012

Cartaz promocional do Grande Prêmio dos EUA de 1970 - em Watkins Glen

Em 1970, Emerson Fittipaldi fazia sua temporada de estréia na Fórmula 1. Pilotando a Lotus do lendário engenheiro Colin Chapman, Emerson vinha fazendo um bom ano de estréia, quando uma fatalidade o alçou à condição de esrela do time: seu companheiro de equipe Jochen Rindt faleceu num terrível acidente em Monza.

Ao chegar aos EUA, Rindt, falecido, ainda figurava como líder do campeonato, e podia matematicamente sagrar-se campeão mundial mesmo sem disputar o Grande Prêmio norte-americano.

Emerson venceu a corrida, vindo a tornar-se o primeiro brasileiro a subir ao mais alto degrau do pódio na Fórmula 1, e com este resultado assegurou ao finado companheiro de equipe o título de campeão mundial de 1970.

Mas o “causo” ocorreu fora das pistas. Ainda começando sua carreira sem grandes salários ou orçamento para hospedar-se em hoteis caros, Emerson dirigiu de Watkins Glen para Nova Iorque e com sua esposa, Maria Helena.

Hospedou-se num hotel barato na Broadway. Ao chegar na recepção para o check in, o brasileiro foi reconhecido por um funcionário do hotel que pegou um exemplar do The New York Times e abriu sobre o balcão. Na manchete: “Emerson quem?

A notícia dizia que o vencedor da prova havia levado o prêmio em dinheiro de 50 mil dólares. Após ler a manchete em voz alta, segundo o próprio Emerson, ele o mediu e perguntou, “é o senhor mesmo? E ganhou mesmo 50 mil dólares”?

Cartaz promocional do GP

O brasileiro, inebriado com a fama, confirmou a notícia, e pouco depois percebeu o equívoco: estava hospedado com a esposa num hotel barato em Nova Iorque e o porteiro agora acreditava que eles levavam 50 mil dólares em espécie no meio de suas malas. O piloto então não exitou: arrastou a mobília do quarto colando-a na porta, afim de conter um eventual invasor à caça de seu suado prêmio em dinheiro.

Causos (10)

17/07/2012

Capacete de Maurício Gugelmin lixado após acidente em Paul Ricard, 1989

Em 1989 Maurício Gugelmin, brasileiro de Joinville, fazia seu segundo ano na Fórmula 1, correndo pela modesta equipe March. O time contava com um jovem engenheiro (ainda com cabelos), chamado Adrian Newey, de quem muitos ouviriam falar no futuro, e vez por outra começava a querer por “suas manguinhas de fora”, incomodando as gigantes forças Ferrari-McLaren-Williams e mais distante a Benetton.

Quando o circo colorido chegou ao veloz autódromo de Paul Ricard para o Grande Prêmio da França, Maurício classificou seu carro azul claro no 10º lugar do grid. Sabendo das limitações de seu equipamento, Gugelmin surpreendeu-se com o bom ritmo demonstrado nos treinos de aquecimento (warm-up), que ocorriam nas manhãs de domingo antes de serem extintos pelo regulamento.

Animado, o brasileiro resolveu que na largada buscaria o máximo possível de posições, tentando depois poupar os pneus e contar com a sorte para ir aos pontos, o que seria um resultado muito animador para seu time.

Por superstição, Gugelmin não costumava estrear capacetes em dias de corrida, deixando para levar à pista pela primeira vez os cascos novos em treinos de sexta e sábado. Neste dia, contudo, foi diferente e o rapaz de Joinville não repetiu seu antigo hábito, colocou um capacete novo, e foi para a pista. Ao alinhar no grid o brasileiro mal podia imaginar o que lhe aguardava na primeira curva.

Ao atrasar a freada na tentativa de buscar ganhar posições o brasileiro, com pneus e freios ainda frios, viu suas rodas dianteiras bloquearem, perdeu o controle do carro e foi como um torpedo em direção à Ferrari de Nigel Mansell e a Williams de Thierry Boutsen.

A March azul clara deu uma cambalhota espetacular e caiu de bruços ainda com alguma velocidade fazendo Maurício sentir o capacete lixar no asfalto abrasivo da área de escape.

Maurício Gugelmin deslizando pela área de escape em Paul Ricard.

O brasileiro disse ter pensado: “- É agora que eu apago”, temendo pelo pior.

Felizmente o piloto saiu andando do carro, ou melhor correndo, e com a interrupção da corrida (antigamente não tínhamos safety-car na Fórmula 1), pulou dentro do carro reserva e alinhou para a nova largada.

Fez então boa corrida até abandonar com problemas no carro, e ao caso de má-sorte pelo capacete novo deu de ombros: “- Na segunda largada ele já não era mais novo…”.

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Causos (9)

27/06/2012

Em 1997 a Benneton parecia ter construído um carro razoável, tinha uma dupla veloz de pilotos – Jean Alesi e Gerhard Berger, e os poderosos motores Renault. Era uma receita interessante para buscar bons resultados. No comando do time o polêmico Flavio Briattore, executivo da famosa grife proprietária do time, que foi alçado à direção de uma equipe de Fórmula 1.

Na abertura da temporada em Melbourne, Alesi classificou-se em 8º para a corrida de domingo, e o carro demonstrou ter um bom ritmo no asfalto abrasivo do Albert Park.

Com o reabastecimento durante as provas começando a sua 4ª temporada (voltou ao regulamento em 1994), as táticas de pit-stop não eram lá tão elaboradas quanto na era 2004-2008, quando as equipes calculavam cirurgicamente a gasolina a ser levada e os décimos a serem perdidos. Assim, por vezes víamos alguns pilotos resolverem assumir as rédeas das decisões estratégicas.

O causo de hoje começou assim.

O impetuoso piloto francês está longe de ser o único piloto a jogar uma corrida fora por pane seca. Mas debutou na categoria dos que viram o resultado escapar por entre os dedos ao ignorar o chamado de seu time para o pit-stop.

A corrida passava da 31ª volta. Pelo rádio e pelas placas no pitwall o pessoal da Benetton avisava Alesi da proximidade da parada. O piloto, entretanto ignorou o chamado do time, e seguiu pela 32ª, a 33ª voltas.

Quando se aproximava para abrir a 34ª volta seu time desesperado tentava de todas as formas fazê-lo entender que deveria entrar nos pits.

Nada pareceu resolver, e o intrépido Alesi seguiu na pista. Em seguidas câmeras o encontram encostando seu carro. Nada de fumaça, nada de peças soltas ou sinais de acidente. Era de fato uma pane seca.

Murray Walker, o lendário narrador da TV inglesa traduziu bem o momento quase descabelando a sua proeminente careca no vídeo abaixo.

Causos (8)

22/05/2012

O causo da vez aconteceu em Mônaco, e não por acaso foi escolhido, pois neste final de  semana a Fórmula 1 correrá nas ruas apertadas do principado. Em 1982 a corrida por aquelas bandas completava sua 40ª edição. Pra variar, seguia recheada de polêmica, pois todos, de pilotos a chefes de equipe e jornalistas reclavam da qualidade do asfalto, do paddock apertado e pouca ou nenhuma privacidade para trabalhar.

Nos treinos, domínio da Renault, que aplicando seu costumeiro passeio naquela temporada marcou sua quinta pole position em seis corridas, desta vez com René Arnoux. Seu companheiro Alain Prost saía em quarto, atrás da Brabham de Riccardo Patrese, segundo, e da Alfa Romeo de Bruno Giacomelli, terceiro.

Na largada, Arnoux saltou na ponta e disparou na frente. Patrese largou mal, caindo para terceiro e perdendo mais uma posição para Prost logo na abertura da segunda volta. Confirmando o favoritismo da Renault, o francês ultrapassou também Giacomelli , imprimindo o domínio dos carros franceses na liderança.

Arnoux remava tranquilo em primeiro até errar e se esborrachar nos S’s da Piscina, na 15ª volta. Prost herdou a primeira posição e parecia ter a vitória já no bolso. Mas então choveu.  Ali começou um dos maiores pandemônios que se tem notícia numa corrida de carros em toda história da Fórmula 1.

Tratava-se de uma traiçoeira chuva fina, na medida exata para enganar os pilotos, que não perceberam o asfalto virando aquele sabão inicial. Você motorista já viu isso. Antes de a chuva lavar o asfalto, há um estágio momentâneo, em que ele fica mais liso do que se estivesse completamente molhado. É ali que reside o perigo. Agora multiplique isso por motores com mais de 800 cavalos da era do motor turbo, pilotados por gente que está acostumada a andar no limite o pra lá dele, e aí teremos uma receita para o caos.

Prost, em mais uma amostra dos efeitos danosos que a água causava em seu cérebro quando escorria sobre capacete, perdeu a traseira na saída da Chicane do Porto, parando nos guard rail e dizendo adeus a uma vitória certa, a menos de 3 voltas do final.

Patrese que vinha atrás assume a ponta sorrindo, mas roda na obscenamente fechada curva do Loews. A televisão passa a exibir a Ferrari de Didier Pironi, novo líder, que se arrasta para a bandeirada mesmo com o bico do carro avariado. O francês abre a última volta e encaminha-se para a vitória, até que fica sem combustível na entrada do túnel. Pironi para desolado e ninguém mais sabe o que acontece. Quem é o novo líder? Alguém vai vencer esta corrida?

As câmeras começam a procurar a Alfa Romeo de Andrea de Cesaris, mas quando chegam nele, já é tarde. O italiano está parado na subida para o Cassino, também sem combustível. O diretor de imagens já nem sabe o que mostrar e exibe a Williams de Derek Daly, também encostando na La Rascasse. Daly estava uma volta atrás, mas a essa altura ninguém mais saberia quem estava em qual posição.

Finalmente a transmissão se acha e exibe o novo-velho líder: Riccardo Patrese. Mesmo tendo aberto a última volta quase um minuto atrás de Pironi, é dele novamente a liderança do GP de Mônaco. O italiano completa a corrida, cruza a linha de chegada timidamente, lamentando muito a rodada que, julgava ter lhe  custado a vitória.

No túnel, Pironi pede uma carona para retornar aos boxes e Patrese encosta sua Brabham. O francês abraça-se ao santoantônio, dá tapinhas no capacete do italiano e o congratula: “parabéns, vencedor”. Só ali Patrese soube que, quase sem querer, havia vencido pela primeira vez na Fórmula 1.

O resultado da corrida maluca: Patrese em primeiro, mesmo rodando na penúltima volta. Pironi em segundo, mesmo com o bico avariado e sem gasolina. De Cesaris terceiro, também sem gasolina. Uma volta atrás, cruzam a linha as Lotus de Elio de Angelis e Nigel Mansell, quarto e quinto. Em sexto, Derek Daly, que parara na Rascasse com o carro todo quebrado. Prost, mesmo batendo a duas voltas e meia do fim, foi sétimo.

Patrese comemorando a vitória.

Ainda que com dez classificados ao final, apenas cinco carros efetivamente receberam a bandeira quadriculada na corrida em que, por pouco, não aconteceu de ninguém chegar ao final.