Archive for the ‘Batalhas e Ultrapassagens’ Category

Batalhas e Ultrapassagens (10)

22/11/2012

Algumas duplas de pilotos fizeram história. Esta certamente é lembrada como uma das mais sensacionais, e que terminou de maneira trágica. Gilles Villeneuve, canadense e lendário pelas manobras ousadas e Didier Pironi, francês e à época uma estrela em ascensão, ambos pilotos da Ferrari.

Em 1982, em meio à convulsão política que a Fórmula 1 atravessava a maioria das equipes inglesas liderou um boicote encabeçado por Bernie Ecclestone na eterna briga por mais dinheiro que vem ano, vai ano, é travada nos bastidores da categoria. Os construtores não ingleses ignoraram o lockout e seguiram para San Marino, onde seria disputado o Grande Prêmio daquela pequena república encravada na Italia, palco também do eletrizante duelo do vídeo deste post.

Pironi e Villeneuve eram cordiais companheiros de equipe, e alguns arriscam-se até dizer que chegavam, vejam só, ao cúmulo de serem amigos, algo raríssimo na Fórmula 1. Na corrida em San Marino, o canadense espetaculoso liderava, e marchava para uma vitória tranquila. Pironi, talentoso, veloz e buscando seu lugar ao sol, tinha a intenção de vencer a corrida, e resolveu atacar Gilles, o queridinho do comendador Enzo, e então o primeiro piloto do time vermelho. A batalha entre os dois foi furiosa, e durou as últimas voltas da corrida, com Pironi levando a melhor.

A amizade acabou ali, e não muito adiante, a carreira dos dois tambem. Villeneuve sucumbe ao gravíssimo acidente ocorrido nos treinos para o Grande Prêmio da Bélgica, naquele ano ocorrido em Zolder, e morre. Em Hockenheim, é a vez de Pironi sofrer também um terrível acidente, e que por coincidência deu-se também numa colisão traseira, e nunca mais voltou a pilotar um carro de Fórmula 1.

Para coroar o trágico desfecho da talentosa dupla, em 1987 o francês disputava um campeonato de lanchas offshore ao largo da ilha de Wright e capotou nas ondas do petroleiro Avon, morrendo na hora.

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Batalhas e Ultrapassagens (9)

10/10/2012

Essa aqui deu gosto de ver: ano de 2008, Felipe Massa na Ferrari lutando pelo campeonato. Depois de um começo tumultuado, o Grande Prêmio do Canadá tornou-se uma prova de recuperação para o brasileiro. Tendo uma máquina muito bem acertada, e pilotando naquele que talvez tenha sido o seu melhor período na Fórmula 1, o rapaz de Botucatu escalava o pelotão para minimizar seu prejuízo.

Nas últimas voltas Felipe tirava tudo que podia do carro, e alcançou Heikki Kovalainen e Rubens Barrichello que disputavam posições. Rubinho pilotava aquela carroça projetada pela Honda para 2008, e por algum tempo conseguiu segurar a McLaren muito superior do finlandês mosca morta.

Quando Heikki preparou o bote, na freada do hairpin, Rubens pouco podia fazer. O que nenhum dos dois jamais podia imaginar era a chegada de Massa, que num lance só levou a posição dos dois.

Nesse dia eu gritei como se fosse gol.

Batalhas e Ultrapassagens (8)

19/09/2012

Magny-Cours, a pista francesa em meio ao pasto no interior da França. Um autódromo muito bom construído com fortunas do governo francês, e que depois de alguns anos foi deixado de lado. Foi lá que aconteceu a ultrapassagem de hoje.

Nas últimas voltas do Grande Prêmio gaulês de 2004, Rubens Barrichello na fantástica Ferrari daquele ano, estava nos calcanhares de Jarno Trulli. Precisamente no último giro, na última curva, o italiano da Renault azul e amarela piscou, vacilou, e Rubens meteu o carro por dentro.

Dali por diante o italiano caiu em desgraça, e Flavio Briattore, o ruidoso manager de pilotos e à época diretor do time da equipe por onde seu pupilo corria perdeu a paciência, e dali por diante o clima entre os dois azedou.

Batalhas e Ultrapassagens (7)

26/08/2012

Nas voltas finais do Grande Prêmio da Hungria de 2010, Rubens Barrichello com os pneus em melhores condições alcança o desafeto e ex-companheiro de equipe Michael Schumacher.

O brasileiro tentou uma vez, duas, e na terceira foi com tudo pra cima do alemão. Schumacher, por sua vez, foi além do limite do razoável, e fechou a porta flertando com uma panqueca de Barrichello, que poderia muito bem ter acontecido.

Mas no final, o Rubinho levou a melhor, e faturou a posição. Foi um daqueles lances eletrizantes, entre dois pais de família, com a vida ganha, totalmente desnecessário, mas que mostra que o pessoal não senta naqueles carros para brincar.

Batalhas e Ultrapassagens (6)

10/08/2012

Sugiro que você assista, com tempo, a versão longa deste vídeo, que tem duas partes de 8 minutos (aqui e aqui). É de encher os olhos. Três dos pilotos que seguramente estão entre os 10 melhores da história da Fórmula 1, num mesmo train de corrida, separados por metros, ou as vezes centímetros.

Senna, com um carro inferior, larga e toma o segundo posto de Prost, na poderosa Williams-Renault. O francês persegue implacavelmente o brasileiro, que usa todas as manobras do manual, e algumas que lá não constam, para defender-se no veloz traçado de Silverstone, palco do Grande Prêmio da Inglaterra de 1993.

Quando finalmente Prost consegue, Schumacher cola no brasileiro e tem de pagar caro pela posição, que Senna vende cobrando até os últimos centavos.

Aqui uma edição mais curta, apenas com os melhores momentos da briga.

Divertido demais.

Batalhas e Ultrapassagens (5)

26/07/2012

Em 1986 a Fórmula 1 fazia sua primeira aparição na Hungria, colocando os pés do lado de lá da então existente cortina de ferro. O circuito, travado, e com uma reta de chegada curta, mostrou-se um tormento para ultrapassagens.

Na realidade apenas um lugar, e ainda assim com muito custo, dava condição para uma manobra dessas: a freada para a primeira  curva.

Ayrton Senna havia largado na pole-position, com sua Lotus preta. Nelson Piquet de Williams o perseguia muito de perto e queria a ultrapassagem. Dois dos maiores pilotos da história, uma reta curta, e uma curva fechada ao final.

Piquet tentou uma vez, e exagerou na dose, escorregando e dando espaço para Senna retomar a dianteira. Na volta seguinte tentou de novo, por fora. O resultado? A imagem mostra melhor do que 10 páginas de descrição.

Jackye Stewart assim resumiu: – Foi a manobra mais espetacular da história da Fórmula 1. Um looping com um 747 a 30 centímetros do chão.