Archive for the ‘Adoráveis Carros’ Category

Adoráveis Carros (14)

22/10/2012

Alain Prost, conduzindo o elegante e poderoso MP4/5 de 1989.

O adorável carro de hoje tem história. O McLaren MP4/5. Projetado por Neil Oatley, discípulo do genial Steve Nichols, que supervisionou o trabalho, o carro disputou a temporada de 1989, e foi responsável por levar seus lendários pilotos Ayrton Senna e Alain Prost a mais uma série esmagadora  de triunfos contra a concorrência, a exemplo do que ocorrera no ano anterior.

O ano de 1989 foi o primeiro em que os banidos motores turbo foram postos de lado. Para empurrar o modelo, os japoneses da Honda construíram um motor de 3,5 litros V10, concebido e testado no final de 1987 e 1988.

Desde sua primeira aparição nas pistas o MP4/5 mostrou-se como o carro a ser batido. Enquanto a Ferrari afundava em meio aos problemas de confiabilidade do revolucionário câmbio semi automático, então uma novidade, a Williams ainda aprendia a usar os motores da Renault, e assim o time branco e vermelho nadou de braçadas.

Senna em Mônaco, liderando Prost e o resto do pelotão.

Com a melhor dupla de pilotos ao volante, uma das mais fortes de toda a história da Fórmula 1, diga-se, o domínio foi implacável. E aí o óbvio aconteceu.

Senna e Prost caíram numa rivalidade histérica, que azedou completamente o clima interno, e colocou a equipe toda em situação de guerra declarada.

Ron Dennis, o chefão, tentou por panos quentes ao tufão que se formava dentro de sua garagem, mas pouco pôde fazer. Frank Williams, recém recuperado de algo parecido envolvendo Nelson Piquet e Nigel Mansell ao longo de 1987, sentenciou: “Mas o que você esperava? Colocou dois touros no mesmo pasto e esperava que não brigassem?”

Senna assume a ponta em Imola. Nascia ali a discórdia.

E assim, um carro genial, acabou ficando conhecido também pela clássica imagem da colisão entre Prost e Senna, na apertada chicane de Suzuka, quando o brasileiro jogou toda as suas fichas tudo para ultrapassar o companheiro de equipe, que não estava disposto a ceder. O resultado é conhecido.

Senna e Prost colocam os dois MP4/5 pra fora da pista. Último capítulo da história vitoriosa do adorável carro.

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Adoráveis Carros (13)

02/10/2012

O Jordan 197, nas mãos de Ralf Schumacher. Nosso adorável carro de hoje é o Jordan 197, carro com o qual a equipe de mesmo nome, de propriedade do divertidíssimo e roqueiro Eddie Jordan, disputou o Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1997. Suas linhas esguias e elegantes, bem como o arrojado esquema de cores, com detalhes que remetem a uma serpente, sempre são lembrados, e de fato formam um belo conjunto. Tornando-o apto a figurar em nossa sessão saudosista.

Jordan 197 e sua serpente desenhada no nariz.

Saído das pranchetas de Gary Anderson, e contando com uma polpuda conta de patrocínio da Benson & Hedges, além da força  dos potentes motores V10 da Peugeout, o carro mostrou-se promissor, e alguns interessantes resultados surgiram ao longo do ano.

Com a saída de Rubens Barrichello, que fez as malas rumo à nascente Stewart e aposentadoria do experiente Martin Brunddle a equipe irlandesa depositou suas esperanças de resultado nas mãos de duas jovens promessas, o alemão Ralf Schumacher, irmão do célebre Michael, e Giancarlo Fisichella, italiano de Roma.

Ambos debutavam na Fórmula 1, e apesar de algumas corridas de experiência para o italiano, guiando para a equipe Minard, em realidade ali os dois começavam sua trajetória na categoria máxima do automobilismo.

O Jordan 197, novamente com Ralf, em Melbourne.

Depois de um começo de ano frustrante, ambos os pilotos marcaram pontos frequentemente, levando o time ao quinto posto no Campeonato Mundial de Construtores, atrás das gigantes Ferrari, McLaren, Williams e Benetton.

Ralf Schumacher foi ao pódio no Grande Prêmio da Argentina, e depois Giancarlo Fisichella levou o 197 a um terceiro lugar no Canadá e segundo posto na Bélgica, o que terminou por levar a Benetton e a própria Jordan a se estapearam para contar com os serviços de Fisico.

Adoráveis Carros (12)

15/09/2012

Renault 01 visto em corte.

O nosso adorável carro de hoje é o Renault RS01. Trata-se do primeiro carro de F1 a ser alimentado por um motor turbo. Desenhado por André de Cortanze e Jean-Pierre Jabouille, fez sua aparição nas pistas para seu debut no Grande Prêmio da Inglaterra de 1977.

O regulamento da época permitia motores aspirados de 3.0 litros, ou turbo-alimentados de 1.5 litros. Apesar de permitido pela regras, nenhum fabricante de motores havia tentado explorar esta possibilidade. De um lado os times ingleses como Tyrrel, Lotus, BRM e outros apostavam na aposta segura dos motores Ford Cosworth DFV, enquanto as equipes Ferrari e Alfa Romeo tentavam a sorte com os propulsores V12.

O Renault RS01 na pista.

Entrando na Fórmula 1 com sua equipe própria, a Renault optou por desenvolver seus motores e inovar na plataforma.

Inicialmente o motor turbo mostrou-se feroz, indócil, e a condução do piloto era muito difícil, pois repentinamente, quando a pressão do compressor atingia determinado ponto, toda a potência era despejada de uma só vez, e o bólido tornava-se um touro indomável.

O time francês levou quase duas temporadas inteiras para aprender a aparar todas as arestas do projeto, mas ao final o carro e a proposta da turbo-alimentação provaram-se acertados, e ao final todo mundo acabou copiando os franceses, e a década de 80 acabou por ser o período dos motores turbo na Fórmula 1.

Renault RS 01.

Adoráveis Carros (11)

28/07/2012

Ligier JS11, com suas cores azuis e o patrocínio da Gitanes.

O adorável carro de hoje é outro representante da geração “efeito-solo”, que fez história no final da década de 70. O Ligier JS11 concebido por Gérard Ducarouge. Competiu com as cores azuis, tradicionais do time francês de Guy Ligier nas temporadas de 1979 e 1980, provando-se uma máquina muito competitiva, com suas graciosas linhas e seu simpático esquema de pintura.

Pilotado por Jacques Laffite, o carro ganhou as duas primeiras corridas da temporada 1979 e levou a equipe francesa a permanecer na disputa durante toda a temporada, com Patrick Depailler ganhando também uma corrida na Espanha.

O time francês concluiu o ano de 79 em terceiro na tabela de Construtores, atrás apenas de Ferrari e Williams no campeonato de construtores.

Depailler acabou sofrendo um acidente com asa-delta e no meio da temporada substituído por Jacky Ickx

Desenho em arte do JS11.

Para 1980, o JS11 foi atualizado com uma melhor aerodinâmica. O time substituiu definitivamente Depailler por Didier Pironi. Mais uma vez o carro foi rápido e competitivo, e outra vez esbarrou na concorrência mais forte da Williams e agora da Brabham, com Alan Jones conquistando o campeonato pelos carros do tio Frank.

Mesmo assim, a equipe ainda teve duas vitórias, e certamente teria tido mais, mas ao longo do ano estranhas falhas de suspensão levaram o time a descobrir que a pressão aerodinâmica gera pelo projeto havia excedido o limite do razoável.

O carro gerava tanta carga de downforce, que a suspensão e os pneus simplesmente não resistiam à corrida toda, cedendo e levando a quebras perigosas.

 

Ligier JS11, com suas cores azuis e o patrocínio da Gitanes, sendo perseguido pela Coopersucar de Emerson Fittipaldi.

Adoráveis Carros (10)

02/07/2012

Lotus 78 - carro asa

Hoje trago um carro revolucionário e bonito. O Lotus 78 “carro asa” foi o modelo de corridas da equipe, concebido pela mente genial de Colin Chapman para as temporadas de 1977 e 1978. Desenhado por Peter Wright, Chapman Colin, Ogilvie Martin e Tony Rudd, foi o projeto que iniciou a revolução do efeito solo.

Tudo começou no início de 1976, estimulado pelo decepcionante falta de ritmo do envelhecido Lotus 72, usado até a temporada anterior, e o desempenho insosso do modelo 77. Chapman rascunhou suas ideias sobre a baixa penetração e resistência do ar. Depois de ter estudado um caça-bombardeiro Havilland Mosquito, o genial engenheiro prestou muita atenção aos radiadores montadas em sua asas, e as saídas de ar quente que foram projetados para induzir o efeito do elevador da aeronave.

Chapman percebeu que um sistema deste tipo, mas concebido ao contrário poderia gerar um significativo downforce. Um exame cuidadoso do princípio de Bernoulli da dinâmica dos fluidos confirmou seus pensamentos sobre os efeitos de um perfil arrebitado de avião montado no carro. Chapman então deu seu rascunho para seu chefe de engenharia Tony Rudd.

Rudd designou uma equipe para trabalhar no projeto: o designer-chefe Ralph Bellamy, Martin Ogilvie e o aerodinâmicista Peter Wright. Rudd e Wright já havia trabalhado para a BRM, e antes de ingressar na Lotus em 1970 haviam feito um estudo de design para a possibilidade de um perfil de asa invertido em um de seus carros. Rudd havia testado uma série de modelos em escala, mas a falta dos métodos de ensaio e o declínio BRM fizeram com que as ideias nunca avançassem de um estágio experimental. No entanto, Wright lembrou seu trabalho e o trouxe para o projeto.

Em seguida a equipe de engenheiros começou a experimentar com modelos corporais de um carro de F1 num túnel de vento e uma estrada de rolamento. Wright verificou que com o aumento da velocidade da estrada rolante, a parte inferior da carroceria era “empurrada” mais perto da superfície desta. Wright experimentado com pedaços de papelão fixados ao lado do corpo do carro modelo percebeu que pressão aerodinâmica produzida atingia níveis fenomenais.

Os resultados foram apresentados a Colin Chapman, que deu carta branca ao grupo para chegar a um design de chassi definitivo. Depois de uma rodada de esboços, rabiscos e desenhos de engenharia, somados a intenso trabalho ainda no túnel de vento do Imperial College, o carro foi colocado em produção. Cinco exemplares foram construídos, com codinome John Player Special Mk. III, também conhecido como o Lotus 78 que apareceu pela primeira vez em Julho de 1976.

O primeiro piloto da equipe, Mario Andretti, queria estrear o carro mais cedo, ainda no final de 1976. Chapman por sua vez rechaçou a ideia, com receio de o intervalo entre a temporada de 1976 e 1977 permitisse às demais equipes estudar e compreender as soluções adotadas pela Lotus, copiando-a.

O modelo 78 foi introduzido na primeira corrida de 1977, e provou ser o carro a ser batido, vencendo cinco corridas. O projeto era de fácil acerto, e reagia muito bem às modificações gerando impressionantes níveis de aderência à superfície da pista.

O 78 levou o Team Lotus ao segundo lugar no Campeonato Mundial de Construtores em 1977 e foi campeão em 1978. Deu também a Mario Andretti seu único título mundial de Fórmula 1, em 1978, fazendo dobradinha com Ronnie Peterson, seu companheiro de equipe.

Lotus 78 com Mario Andretti

Adoráveis Carros (9)

29/05/2012

Maserati 250F

O adorável carro desta edição é um legítimo representante da era dos “charutinhos”. A Maserati 250F, modelo usado por vários pilotos entre as temporadas de 1954 e 1960 da Fórmula 1.

O 250F deu as caras pela primeira vez Grande Prêmio da Argentina de 1954, nas mãos de Juan Manuel Fangio. Naquele mesmo ano Stirling Moss, outro piloto lendário, também conduziu o modelo, pilotando um exemplar privado. (naquele tempo nem todos os pilotos eram da fábrica, e assim alguns adquiriam os carros e inscreviam-se por conta própria nas corridas).

Em 1955, foi introduzida uma caixa de câmbio de 5 marchas, injeção de combustível SU e freios a disco Dunlop. Já em1956, Stirling Moss venceu no Grande Prêmio da Itália e o Grande Prêmio de Mônaco em seu carro particular.

Maserati 250F

Naquele ano a evolução desenvolvida por Giulio Alfieri trazia tubos de aço, mais leves que os convencionais, dando ao carro um elegante e resistente corpo, que somados aos motores V12 mais potentes, com 315cv, melhoraram consideravelmente o desempenho da máquina.

Este motor depois foi reaproveitado no projeto do Cooper Maserati de 1966.

Em 1957 Juan Manuel Fangio pilotou o carro para mais 4 vitórias do campeonato, incluindo o triunfo no lendário Grande Prêmio da Alemanha em Nürburgring (4 de agosto de 1957), onde o argentino descontou uma diferença 48 segundos em 22 voltas, ultrapassando o líder da corrida, Mike Hawthorn, na última volta para vencer.

O elegante carrinho vermelho ainda venceu muitas provas extra-campeonato ao redor do mundo, inscrevendo seu nome e a marca do tridente na história do automobilismo mundial.

Maserati 250F