Interlagos: um thriller de cinema, com elementos de 2008.

Vettel comemora. O mais novo tricampeão mundial de Fórmula 1.

E o que dizer da corrida? As mudanças na condição do binômio clima-asfalto, lembraram muito a corrida louca disputada em Dogninton Park, no Grande Prêmio da Europa de 1993, vencida por Ele*. A recuperação de Sebastian Vettel, que foi atingido por Bruno Senna na curva do Lago, ainda na primeira volta, também me lembrou a escalada de Dele* em Suzuka-1988. E a corrida como um todo, a decisão do campeonato dramática como foi trouxe elementos de 2008, quando Hamilton e Mass, bem vocês sabem… Em suma, todos os elementos para uma definicão digna da temporada espetacular que tivemos.

Em dado momento, os doze primeiros eram simplesmente geniais. Uma fila indiana em que o último era Kimi Raikkonen, e na frente dele ninguém menos que Michael Schumacher. Ora, que fase especial que temos diante de nossos olhos, quando coadjuvam uma corrida dois pilotos desse calibre.

Venceu o melhor? Difícil dizer. Mas o título certamente está em ótimas mãos. Vettel veio catando pontos no começo do ano, quando o carro da Red Bull sofria para adaptar-se à falta que o difusor soprado lhe fazia (proibido que foi pelo regulamento). Foi marcando pontos, somando colocações intermediárias, alguns pódios e corridas neutras, sem grandes shows.

De repente Adrian Newey e Vettel se acharam. E o carro melhorou. Não foi sorte. Vettel mergulha em reuniões intermináveis com seus engenheiros, lendo dados de telemetria e espremendo até a última gota na busca por dois ou três décimos de segundo.

Mas o salto dado não foi suficiente para ser esmagadoramente superior, pois a McLaren também achou o caminho e era mais rápida. Ainda assim Sebastião soube encaixar uma sequência de vitórias que somada ao azar duplo de Alonso em dois abandonos e ao carro da Ferrari que simplesmente parou no tempo deu-lhe condições de chegar aqui como chegou.

Alonso por seu lado pegou um carro lamentável nas mãos. A Ferrari resolveu ousar no projeto. E quem ousa tem sempre o risco – ou acerta muito, ou erra muito. A segunda alternativa pareceu ter ocorrido. O carro vermelho tomava mais de um segundo inteiro por volta de McLaren e Red Bull. O acerto era imprevisível, as mudanças não deram resultados. No meio da temporada o pessoal de Maranello conseguiu achar o interruptor que acendia a luz, e saíram do escuro, o rumo foi encontrado. Ali Fernandinho pareceu ser o homem do ano. Soube beliscar resultados inteligentemente, e quando lhe deram um carro melhor, foi pra frente.

De repente o desenvolvimento na Ferrari estancou. Dizem alguns que o problema foi no túnel de vento. O fato é que o espanhol está dando indiretas, dizendo que o carro apresenta alguns pontos críticos já há 6 meses. Num entrevero com um engenheiro chefe da Ferrari, Alonso foi ao Twitter e disparou – desde Barcelona em maio, que a aerodinâmica da Ferrari é a mesma. Caro leitor, caso você não saiba, uma equipe de ponta na Fórmula 1 traz peças novas e modificações em seus carros corrida a corrida. Isso tirou Fernando do sério.

Para coroar um ano em que 7 pilotos diferentes venceram as 7 primeiras corridas, tivemos o desfecho em Interlagos, um dos mais espetaculares circuitos do mundo, diante da torcida mais animada e divertida, e com um clima doentiamente instável. Épico, de novo!

A turma da Red Bull comemora com seu pupílo.

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1. Button: em corridas loucas como a deste domingo Jenson, dotado de uma inteligência acima da média do grid, sempre se sobressai. O inglês, além de saber ler muito bem as condicões da pista, tem a famosa tocada suave e gentil com o carro e os pneus. O resultado é esse. Bela vitória. É o nome de McLaren para 2013;

2. Alonso: por momentos o espanhol teve o título nas mãos, quando Vettel e a Red Bull erraram nos pits e o rival na disputa pelo título esteve fora da zona de pontuação. Fez uma excelente temporada, tirou da Ferrari muito mais do que ela tinha a oferecer, mas não deu. Seu oponente é osso duríssimo de roer;

3. Massa: termina em alta um ano que começou com nuvens negras no horizonte. De agosto pra cá tem pilotado muito bem, de maneira sólida, e até com lampejos de genialidade, que teve até 2009. Deve esquecer Alonso, focar no seu trabalho e juntar as peças de seu sucesso. Não existe primazia dentro de uma equipe de Fórmula 1 que sobreviva aos frios números do cronômetro. Ele saba ser rápido, agora deve seguir adiante, e fazer o que fez desde moleque – acelerar;

4. Webber: o canguru australiano termina opaco o ano. Em alguns momentos pareceu que poderia protagonizar como fez em 2010. Mas o colega de garagem agora ganhou 3 títulos. Difícil não? Deve parar no final de 2013;

5. Hulkenberg: errou no acidente com Hamilton, mas não merecia ter sido punido. Excelente exibição de um piloto muito bom. Liderou quase 30 voltas da corrida, andando na frente de uma dupla barra-pesada na chuva – Hamilton e Button, que sabem correr no molhado. Tem futuro o garoto;

6. Vettel: o mais novo tricampeão deu hoje uma prova de persistência. Caiu para último depois de ter sido abalroado por Bruno Senna ainda na primeira volta. Subiu na tabela passando todo mundo, e contou ainda com Kobayashi que tirou o dia para lhe encher o saco. Seu time adotou uma estratégia errada, o rádio parou de funcionar, e o clima instável desta tarde em São Paulo também somaram-se. Sai do Brasil tricampeão. Você sabe quem são os outros tricampeões? (Brabham, Piquet, Stewart, Lauda e Senna). Algo a dizer?

7. Schumacher: dá adeus à Fórmula 1 saindo de cabeça erguida. Veio divertir-se, e parece ter feito exatamente o que queria. Besta o tempo em que vivemos, onde precisamos cobrar de alguém como ele usando seus feitos passados como parâmetro. Que seja feliz agora cuidando das crianças. Um gênio;

8. Vergne: acabo de falar sobre Schumacher no tópico acima, e agora devo escrever o que sobre este ilustre nada? Pulemos;

9. Kobayashi: Koba-mito teve um dia animado. Deu dores de cabeça em Vettel, disputou com todo mundo, foi do elenco de apoio da corrida, quase como aquele núcleo comédia das novelas, em que tudo de mais divertido acontece. Pena que o japonês não tenha carro ainda garantido pra 2013. Façamos votos para que consiga;

10: Raikkonen: Kimi completou toda as voltas de todas as corridas e pontuou em 19 das 20 etapas. Foi o terceiro colocado no campeonato, atrás apenas de Vettel e Alonso, e venceu uma corrida. Podemos arquivar a pasta em que falavamos da possível falta de motivação do finlandês? De quebra ainda protagonizou o momento mais engraçado da corrida, ao entrar por uma via fechada do autódromo e ter de dar meia volta. Outro herói do ano;

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